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sábado, 1 de outubro de 2011

ATÉ AO FIM


ATÉ AO FIM

Mas é assim o poema: construído devagar
palavra a palavra, e mesmo verso a verso
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e, de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.

                             Nuno Júdice
                           de Pedro, Lembrando Inês
                           Publicações Dom Quixote
in “Diga Trinta e Três – os poetas das quintas de leitura”
lido por Ana Pamplona

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O CÉREBRO DE UMA CADELA


O CÉREBRO DE UMA CADELA

Apenas porque a minha cadela salta para beijar-te,
disse ela, de cada vez que entras em casa,
não significa que ela saiba o que está a fazer.
Provavelmente, ela aprendeu isso comigo, viu-me
a beijar-te, & pensa que essa é a coisa certa
para fazer, mas ela viu-me a fazê-lo antes de eu saber
que eras um idiota, & ela não consegue distinguir.

Hal Sirowitz
Lido por Ana Pamplona

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quantas vezes me fechei para chorar


Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho, da casa de minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava…
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio,
e chorava
sem um desgosto, sem uma cor, sem um lenço
sem uma lágrima,
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim, só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguémviu um vestido a chorar

Ana Pamplona

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A PROPÓSITO DE ESTRELAS


A PROPÓSITO DE ESTRELAS

Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas


Adília Lopes
in "Quem quer Casar Com a Poesia"
lido por Ana Pamplona

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

UM DENTISTA


UM DENTISTA

Conheci um poema de Auden
um dentista reformado que se pôs a pintar montanhas,
Pintou trinta e três montanhas como os pintores de parede
pintam trinta e três paredes. Depois parou, limpou o suor da testa,
pediu um copo de vinho e uma mulher, e despiu-se, embriagado,
fazendo sexo como um dentista
e não como um pintor de montanhas.
E se pensas que uma e outra forma de tocar numa mulher
são idênticas, então deves ler mais poesia.

                                Gonçalo M. Tavares
lido por Ana Pamplona

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sessão Poesia 20-08-11


 Ana Maria
 Ana Maria
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 Ana Almeida Santos e Virgílio Liquito prestam atenção a Manoel do Marco

 Manoel do Marco
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona

 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
 Idiema
 Idiema
 Idiema
 Ilda
 Ilda
 Ilda
 Amândio Vasconcelos
 Amândio Vasconcelos
 Amândio Vasconcelos
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito


 Entrega da obra sorteada a Fernanda Garcias


terça-feira, 26 de julho de 2011

O QUE ME VALE


O QUE ME VALE

O que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom
para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflamas
oh o teu amor não tem com
plicações viva aragon
morram as repartições

Manuel António Pina
lido por Ana Pamplona

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Café do Molhe

Café do Molhe

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

                 Manuel António Pina
               “ Poesia, Saudade da Prosa”
     Lido por Ana Pamplona

quarta-feira, 20 de julho de 2011

POESIA 20 JULHO 2011

 Maria de Fátima
 Maria de Fátima

 Maria Teresa Martins Risco
Maria Teresa Martins Risco
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 João Pessanha
João Pessanha
Manoel do Marco
Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
Irene Lamolinairie
Kim Berlusa a ler um poema seu em homenagem a Manuel António Pina
 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
Kim Berlusa
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
Ana Pamplona