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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Bestiário/1

António Ameneiros

Bestiário/1

Grandes tubarões:
fervilham, fervem nas águas
amassadas: exploram.

Agitam os cardumes
que perseguem, e apavoram
o peixe miúdo.

Tantas, tão hiantes as piranhas:
eléctricas, vorazes, espectrais,
no mundo feroz dos canibais.

Infestam. Abocanham-(se).
Alardeiam. Arreganham os dentes.
Banqueteiam-se.

Domingos da Mota

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ESPELHOS

Carlos Dugos
ESPELHOS

Tudo isso não é querer de mais
nem de menos sequer: é querer tanto
que o espelho quando mostra os sinais
e revela a nudez sem qualquer manto

reverbera que sendo quase iguais
o que exibe é de outro que entretanto
percorreu os caminhos naturais
despojado que foi do ar de espanto

de quando transbordava de vigor
a prumo mais erecto do que um pau
de bandeira a subir e a transpor
o fogo das artérias: só é mau

que os espelhos devassem o desgaste
e foquem a nudez a meia haste

Domingos da Mota
in "Bolsa de Valores e Outros Poemas"

NATUREZA MORTA COM FLORES

Rosa Elvira Caamaño

NATUREZA MORTA COM FLORES

Artemísia aneto cebolinho
endro arruda estragão

azeda borragem beldroega
aipo coentro cerefólio

hortelã poejo e tomilho
orégão alface erva-cidreira

salsa e salva e serpão
manjerona alecrim manjericão

e tomate-cereja natural
com flores-de-gelo sálvia e sal

Domingos da Mota
in "Bolsa de Valores e Outros Poemas"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

DESBASTE

Patrícia Filardi


DESBASTE

Há quem diga cuidar dos girassóis
e as ervas daninhas menoscabe
pois que deixa o desbaste pra depois
e quando se dá conta já é tarde

Há quem espere o chegar dos arrebóis
com festas e foguetes e alardes
(até bebo um copo ou mais que dois)
e há quem veja o sol atrás das grades

Há quem peça perdão a São Plágio:
decante salmodias e apanágios
e ande por aí com seus adornos

Eu perdi equinócios e solstícios
e tenho tantos ócios, tantos vícios
que pego ainda o touro pelos cornos

Domingos da Mota
in "Bolsa de Valores e Outros Poemas"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CANÇÃO

Álvaro Marques
CANÇÃO

Não é só pranto uma canção assim,
a fantasia a cobre de outros ais,
nem sei se chora a dor (e ai de mim)
que a sinto embriagada por demais

em lautas cavalgadas noite afora
no dorso da volúpia sibilina,
e cujo barco à vela não tem hora
mesmo quando navega à bolina

Não é de pranto ou fado ou desamor
o que paira nos ares, tal o vibrato
que surde com as ondas de calor
e aguça os sentidos pelo facto

de expandir os sons inebriantes
que celebram os corpos dos amantes.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

A NOITE

Francisco Simões
A NOITE

Perpassa, rasga a noite siderante
um ar de desvario cego, vário,
em busca do acaso incendiário,
no dorso da loucura delirante,

em busca do vazio, o chão errante
à beira do abismo solidário,
em busca, eu sei lá, do santuário
aceso do pecado inebriante,

em busca do queimor, dessa fogueira
que sobe, sobe a prumo, nos abeira
da febre galopante da paixão:

perpassa, morde a pele: e até a lua,
fremente como o sol, se perde e estua
nos braços alongados do verão.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ENSAIO SOBRE O AMOR

Carlos Godinho
in:http://carlosgodinhonoporto.blogspot.com/
ENSAIO SOBRE O AMOR

O amor dura sempre enquanto arde
e mesmo quando as cinzas já estão frias
o amor nem é cedo nem é tarde
o amor nunca tem as mãos vazias

o amor qual relâmpago à solta
atravessa a galope o coração
(e deixa tantas vezes a revolta
na boca repentina do vulcão)

o amor pode ser o desengano
ou o delta dum rio até ao mar
o amor que se veste sem um pano
e apetece despir e mergulhar:

o amor permanece enquanto houver
sede e fome entre o homem e a mulher.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

TELÚRICA VERTIGEM

Nunes Amaral
TELÚRICA VERTIGEM

Mergulho, subo ao fundo da loucura,
delta negro de lábios abrasados,
onde perco os meus olhos alongados
sobre as ondas felinas de água pura:

desgrenhamos a pele e a espessura
das águas com os dedos demorados:
o frémito dos corpos adunados
transborda de alegria, transfigura:

ofegantes, à sombra das estrelas,
os poros inebriam, sentinelas
do sangue amotinado, no quentume:

telúrica vertigem desvairada:
expande-se, extasia e cresce e brada
à beira de um vulcão de lava e lume.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

EROS

Yolanda Carbajalles
EROS

Embarco, subo ao céu do desvario
num vértice de fogo alucinado:
retesada a paixão, fremente o rio
desagua num mar encapelado:

no meio da volúpia, desafio
a língua, tua boca, o mar salgado,
os seios, a cegueira, o tresvario
dos corpos num só corpo arrebatado:

apetece, acalentas, desatino:
e vamos ofegantes, mar adentro,
nos braços da alegria e da ternura:
no centro da fogueira o sol a pino

enterra-se bem fundo e extasia
a súbita vertigem da loucura.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

EQUAÇÃO DIFERENCIAL

Victor Silva Barros
EQUAÇÃO DIFERENCIAL

Escolhi um dos fios da ilusão
e depois fiz-lhe o nó de pescador
que abraçado ao pescoço da paixão
mantenho sob a pele do nosso amor:

ora o vento nos sopra de feição
e encharca de luz e de fulgor,
ora passa feroz como um tufão
que roça o limiar do desamor

Mas o nó que nos prende pelas veias
e desata os enredos desta vida
não destece o amor tecendo teias,
nem nos deixa perdidos, sem guarida:

e mesmo que não diga o teu nome,
penso em ti quando a sede vira fome.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

DINÂMICA DOS FLUIDOS

Nunes Amaral
DINÂMICA DOS FLUIDOS

Não vês nos meus olhos desejo,
o desejo?, nos lábios a sede
de um beijo e nos braços
a fome de abraços, não vês,
tu não vês?, não vês
que nas veias o sangue incendeia?

Semeio o delírio
com os dedos urgentes:
mordisco-te os seios, os seios
inchados: sugamo-nos
as línguas de fogo
vorazes: sublevo-te a púbis
e a boca do corpo num ritmo
agudo sem véus de pudor:
o frémito cresce: respiras mais
fundo: o vigor entumece

Rebelem-se os ventos
ou tremam as casas,
vogamos na crista
das ôndulas vivas num mar
de calor, os olhos nos olhos,
as mãos desgrenhadas,
as bocas ao rubro,
soltamos gemidos
e brados e uivos, os poros
perdidos, fundentes, em brasa

Celebramos os corpos
assim desvairados
no ápice da febre,
do ardor, da explosão das águas
frementes, do fogo maduro,
com o sol tatuado na pele da paixão
Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Figurações

Alberto Ulloa

Era uma vez um país
embolado a navegar
no alto do seu nariz,
e à beira de naufragar.

Um país de tiranetes,
de santarrões no altar,
de barões, de baronetes,
de validos, de valetes
por aí a desfilar;

um país de figurões
carregados de negaças,
onde os galos e os capões,
a mando dos passarões,
arreganham ameaças;

um país de sectários,
de falsários, de falsetes,
de caciques, de sicários,
cães de fila, mercenários
e de espirra-canivetes;

um país de saltimbancos,
de palhaços, bailarinos,
de tartufos, e de tantos
morcegos e olhimancos
à caça de gambozinos;

um país de gente fina,
gente de fé, impoluta
que tresanda e peregrina
entre a vénia e a verrina
com a língua mais hirsuta.

E o país de virotes,
fura-vidas, fura-bolos,
de fariseus, de zelotes,
de volteios e pinotes
e chuva de molha tolos,

bruscamente acometido
pela febre e pela aragem,
perde o pé e o sentido:
entrega o oiro ao bandido:
e é fartar, vilanagem!

Um fartão de pesporrências,
destemperos, desconchavos,
de mordaças, de impudências,
e de pardas eminências
de um bando de patos-bravos.

Neste país de opereta,
o regente, sem batuta,
segue a toque da trombeta,
dos fagotes, da veneta
de grandes filhos… / da pauta.

Era uma vez um país
levantado à beira-mar
a sacudir a cerviz
e com pernas para andar.

Domingos da Mota

sábado, 9 de outubro de 2010

EXPOSIÇÃO DE PINTURA DO GRUPO INTERNACIONAL SERVIU DE PANO DE FUNDO À EDIÇÃO DE 2 DE NOVEMBRO DA "POESIA NA GALERIA"




Jorge Vieira
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Artur Santos 
Artur Santos


Artur Santos
Artur Santos
Artur Santos
Miguel Leitão
Miguel Leitão
 Miguel Leitão
Miguel Leitão
Miguel Leitão
Miguel Leitão 
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos



Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta da Silva Neves
Domingos da Mota
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Constância Nery
Constância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Miguel Leitão
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves
Carlos Andrade
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves