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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

TEATRO DA BONECA


TEATRO DA BONECA

A menina tinha os cabelos louros.
A boneca também.
A menina tinha os olhos castanhos.
Os da boneca eram azuis.
A menina gostava loucamente da boneca.
A boneca ninguém sabia se gostava da menina.
Mas a menina morreu.
A boneca ficou.
Agora também já ninguém sabe se a menina gosta da boneca.

E a boneca não cabe em nenhuma gaveta.
A boneca abre as tampas de todas as malas.
A boneca arromba as portas de todos os armários.
A boneca é maior que a presença de todas as coisas.
A boneca está em toda a parte.
A boneca enche a casa toda.

É preciso esconder a boneca.
É preciso que a boneca desapareça para sempre.
É preciso matar, é preciso enterrar a boneca.

A boneca.

A boneca.

Carlos Queiroz (Lisboa, 1907-1949)
in “Os poemas da minha vida”
por Maria Alzira Seixo
lido por Fernanda Cardoso

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sessão Poesia 19 Novembro 2011

 Maria Teresa Nicho, Maria Augusta Silva Neves e atrás João Pessanha

 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 Ana Maria
 Ana Maria
 Leonor Reis

Leonor Reis
 Alzira Santos
 Alzira Santos
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Teresa Gonçalves
 Teresa Gonçalves

Miguel Leitão
Miguel Leitão

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

POEMA PARA GALILEO

POEMA PARA GALILEO

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios).
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signora…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galileo!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar, até há gente que pensa
que entraste no calendário!

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar – que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação –
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando num perigo
para a Humanidade,
e para a Civilização.
Tu , embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas – parece-me que estou a vê-las,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam;
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à  meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias,
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai, Galileo!
Mal sabiam os teus doutos juízos, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.
                                             
António Gedeão
lido por Fernanda Cardoso

terça-feira, 18 de outubro de 2011

POESIA NA GALERIA 15-10-11











Agostinho Costa dá inicio à sessão de poesia


O pintor Porfírio Pires e sua esposa
Fernando Morais
Fernando Morais
Maria Teresa Nicho
Maria Teresa Nicho

Maria Teresa Nicho
 João Pessanha
João Pessanha
Fernanda Cardoso
Fernanda Cardoso

Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 Leonor Reis
Leonor Reis
 Ana Maria
 Ana Maria




 Manoel do Marco
 Manoel do Marco
Cristina Maya Caetano
 Cristina Maya Caetano
Cristina Maya Caetano