Mostrar mensagens com a etiqueta Ilda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilda. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SONETO DO CATIVO


SONETO DO CATIVO 

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão-Ferreira
in “os poemas da minha vida” por Miguel Veiga
lido por Ilda Regalado

terça-feira, 23 de outubro de 2012

POESIA NA GALERIA, 20 de Outubro

 
 
 
 
 
 
 
 
 Aurora Gaia
 Aurora Gaia
 Maria Celeste Dias
 Maria Celeste Dias
 Miguel Leitão
 Miguel Leitão
 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
 Maria Antónia Ribeiro
 Maria Antónia Ribeiro
 Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 Luís Pedro Viana
 Luísa Pedro Viana
 Ana Maria Roseira
 Ana Maria Roseira
 César Carvalho
 César Carvalho
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 
António Cardoso
 António Cardoso
 Ilda Regalado
 Ilda Regalado

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

QUINTESSÊNCIA


QUINTESSÊNCIA
 
Busquei livros antigos, alfarrábios,
do alquimista quis saber os seus segredos.
Tomei em minha mão a bola de cristal
e nela me fundi em cruz axial.
Fui norte, sul, este e oeste,
fui terra, mar, vento e inferno…
Busquei perdido o sol no Oriente
e entre essa gente fui estranho rito.
Na Grécia antiga fui vidente e sábio,
fui o passado, o presente e o futuro;
reinei entre os deuses do Olimpo
sem que ninguém me prestasse vassalagem.
Sou o senhor das estações e da folhagem,
louco pintor, que vai colorindo à toa…
Sou o deus absoluto que tudo domina;
todos me sentem mas ninguém me vê.
Não há solução ou fórmula que me defina,
sou o centro, o elemento quinto.
Nem alquimia ou ciência exacta
sabem ao certo a data em que ao mundo vim.
De todos os mortais sou a ambição;
sonho que conduz a espaços siderais.
Sou a alteridade e a diversidade;
dentro de mim mesmo, sou o outro eu.
Sou a razão e a não razão da sincronia.
Sou aquele que faz suceder à noite o dia.
Mesmo inocente sou réu e culpado
e não há lei ou tribunal que me defenda.
Sou cavalo à solta sem rédeas ou freios.
Sou o próprio símbolo do que é a liberdade.
Ser primordial, sou uno, indiviso.
Pauta musical dum canto impreciso
sou o contraponto de uma sinfonia
sou a quinta essência, o Tempo,
a harmonia e desarmonia.
 
Ilda Regalado

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Era uma bruxa tão desgraçada

Era uma bruxa tão desgraçada
Vassoura em pau toda quebrada
Nariz adunco perdido o cheiro
Quando alta noite sai do poleiro
Um galo preto como carvão
Que furioso a atira ao chão…
É seu rival, velho e matreiro
Pois o seu canto é o primeiro
Que à meia-noite saúda a lua
Que bela e nova se encontra nua.
E do celeiro cai de repente
Algo que estranho lhe parte um dente.
Será barrote ou uma telha?
Coitada da bruxa velha
Tão infeliz e desgraçada
Sem subsídios, desempregada…
Eis senão quando um aranhiço
Se enfia lento em seu toutiço.
Chega a fortuna. Até que enfim!
Ah! Ah! Não tenham pena de mim!
Mas chora a aranha sua desgraça.
No berço duro o que se passa?
À velha bruxa que me enganaste!
Devia saber que eras um traste!
E o teu toutiço de palha de aço
É disso prova. Então que faço?
É dia treze, dia aziago, é sexta-feira.
Não há feitiço sem feiticeira.
E meu veneno como é mortal.
Mata a peçonha; acaba o mal.
 
Ilda Regalado
13/07/12

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Poesia na Galeria 15 de Setembro

 Silvino Figueiredo e Luís Pedro Viana
 Agostinho Costa dá inicio à Sessão de Poesia 
 Luís Pedro Viana
 Luís Pedro Viana
  José Oliveira Ribeiro
  José Oliveira Ribeiro
António Cardoso
 António Cardoso
 Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 David Cardoso
 David Cardoso
 Idiema
 
Idiema
Ilda Regalado
Ilda Regalado