Mostrar mensagens com a etiqueta JOSÉ GONZÁLEZ COLLADO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JOSÉ GONZÁLEZ COLLADO. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

3.

José González Collado
3.

Ouvi os teus passos
do outro lado das árvores
lavei o linho
e temperei o anho

Na cama puz a colcha da alegria
que nas janelas anuncia a festa
no meu olhar todas as cores da aurora
na boca o coração de uma cantiga

Chegaste devagar. Como se o tempo
fosse um menino de cabelos doces

Disseste-me mulher disseste lua
buganvília alfazema cachoeira
disseste água do mar
disseste lava

E um rio atravessou a nossa casa
um pássaro fez ninho na almofada
o fogo amotinou-se na lareira
sobre a mesa nasceu
uma roseira brava.

Rosa Lobato Faria
lido por Lourdes dos Anjos

REUNIÃO DO BURLESCO

José González Collado
REUNIÃO DO BURLESCO

Numa usual reunião familiar
o patriarca no seu tom de sabedor,
falou de mil e uma coisas importantes
e d’entre elas falou de sexo e de amor.

Dizia com a voz colocada que:
“-O sexo, é uma coisa muito má!...”
Contudo ia galando a curvilínea criada,
enquanto esta lhe servia um chá.

Mas logo uma filha encantadora…
daquelas de bom ar e de bom tom,
disse com voz arrebatadora:
“-O Sexo é uma delícia, é mais que bom!”

E nisto, ouviu-se um suspiro
“-Ohohohohoh!!!...
Sexo, sexo, oh! pobre de mim…”
E toda a gente viu,
que num canto sentado,
era o avô, quem suspirava assim!

KIM BERLUSA

PERDÃO

José González Collado
PERDÃO

Senhor, ao ver-te aí,
Diante de mim,
Pregado na madeira
Nesse calvário
Feito pelos homens,
Pergunto-me
Terá valido a pena
O sofrimento
Para a redenção
Disseste tu,
Do mundo inteiro?
Sempre que olho
Os teus olhos tristes
Reflectindo sem dúvida
Tanta dor,
Peço perdão
Por mim,
E tantos outros
Que se não apercebem
E passam indiferentes
A esta magnifica
Lição de amor!

Maria Antónia Ribeiro

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

POETAS, NÃO SE CALEM!

José González Collado
POETAS, NÃO SE CALEM!

Não calem as vozes dos nossos poetas
Nem rasguem as folhas dos seus poemas;
Não nos castiguem com mágoas secretas,
Para denegrir os nossos lemas.

Essas vozes trazem belas mensagens
Que a memória ousa repetir;
Não são inúteis nem fúteis miragens
- Não as queiram subtrair!

Deixem os poetas serem os peregrinos
Da verdade, da revolta e da paixão;
Façam a vossa festa, deixem tocar os sinos,
Ao ritmo cadenciado do coração.

E se as vozes dos poetas se calarem,
Por essas que as quiseram denegrir,
Outras bocas impacientes, se falarem,
Farão outros mais poetas existir.

Jorge Vieira
in “Manhãs Inquietas”

PALHAÇO

José González Collado
PALHAÇO

É arte muito complicada
Saber ou fazer rir,
Sensibilidade concentrada
Sua profissão, divertir.

A vida dele dia a dia,
É igual a qualquer pessoa.
À noite, ele dá magia,
Sua alma, essa, voa.

Transmite tanta alegria
Quando entra em acção.
A música é companhia,
Serrote, clarinete, acordeão.

Os seus números têm graça,
Fazem rir sempre as crianças,
São timbre da sua raça
Consubstanciada nas danças.

Ele ri, canta e chora
É sensível ao amor
Presente em qualquer hora
Na alegria e na dor.

O traje é encantador,
A máscara, diversão
Tem fleuma e cantor,
Palhaço é emoção

JOÃO PESSANHA
10/02/2010

VIVER NAS HORAS MORTAS

José González Collado
VIVER NAS HORAS MORTAS

É nas horas absortas,
as tais ditas horas mortas
que consigo viver mais.
É quando zarpo do cais,
tripulando o pensamento,
no revolto mar do tempo,
tempo que nunca é demais.

Procuro,
na linha do horizonte,
a tal seta que me aponte
qual o rumo a tomar.
Descubro-o no navegar do divagar.
Aguaceiros de palavras,
ventos de prosas e rimas,
fustigam-me
o barco-alma,
ó tempestades divinas.
E na ilha do instante,
Alagam-se em luz,
todas as janelas.
Abrem-se em êxtase todas as portas,
para entrar o meu viver,
nas tais ditas horas mortas.

Kim Berlusa

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

TELEFONEMA

José González Collado
in: http://josegonzalescollado.blogspot.com/
TELEFONEMA

Está sol e eu acordei
de sorriso na alma:
um sorriso escancarado e grande,
tão grande,
que nada nem ninguém o poderão estancar.

Sorriso, ou clarão?
Tanto faz,
já que um e outro iluminam.

Eu não sei se isto é paixão
ou se é amor,
mas sei que me sinto em festa,
com luminárias nos olhos,
música a soar nos ouvidos
e um aroma a doce antigo
a consolar as narinas
e a invadir-me os pulmões.

Feliz,
apetece-me beijar o chão,
oferecer flores a quem passa
e queimar incenso
em louvor dos Deuses todos,
mormente daquele que desenha os destinos
e conseguiu
acender ontem em ti
o desejo de me ligares.
Miguel Leitão
lido por Cristina Pessoa

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

RECORDAR

José González Collado
RECORDAR

Sou do tempo duma Gaia
que tinha fumo de comboio
e risos encantados de criança
quando os velhos seguiam pelas ruas aos ziguezagues.
Sou do tempo das castanhas, dos tremoços,
da fava rica e do pião das nicas…

Sou do tempo duma Gaia zaragateira
com sopeiras e magalas jogando às escondidas
no jardim do Morro
Das bichinhas de rabiar
dos rebuçados Vitória
e do alho porro na noite de S. João.

Fernando Morais
in "Voltar a Gaia"

DOCE SEIVA

José González Collado
DOCE SEIVA

A farrapeira pousou a giga, cortou a trança
E fez-se emigrante em terras de França.
A galinheira já não apregoa na cidade.
Nem vende galos com esporões que dizem a sua idade
O peixe não acorda nas canastras vadias
É tratado por “doutor” nas bancas das peixarias.
O ardina deixou a sua almofada feita de jornais
Tomou de passagem um quiosque com bugigangas e postais
E até o carvoeiro deu o burro a um circo sem animais.
O homem das gravatas é hoje um técnico bem falante
E perdeu o estatuto de vendedor ambulante.
O aguadeiro viu a nascente d’água enterrada no alcatrão
E abriu um “snack” com “finos” e camarão.
A hortaliceira desfez a horta e vendeu-a a “talhões”
E a lavadeira viu o ribeiro morrer com esgotos de habitações.
A cidade cortou as veias onde a seiva corria.
Tão doce seiva! Puro sangue com que vivia
Perdeu-se esta pluralidade de cores e sons
Esqueceram-se outros tempos.
Tão azedos mas tão bons!

Lourdes dos Anjos
in "Nobre Povo"

GAIA JÁ CIDADE

José Gonzalez Collado
GAIA JÁ CIDADE

Gaia
cidade grande como um circo
imensa nas atitudes desafio
da memórias dos tempos de menino
que em era azul de sinfonia.

Das areias do rio ao areal do mar
dos milheirais em flor até ao monte
da avenida desfiada até à ponte
das varinas no seu apregoar.

Gaiata de Canidelo e Afurada
de chilenos em Avintes e Oliveira
no Areinho tinha sável e peixeira
e no Mosteiro a serra escarpada.

O jardim era um morro preferido
no coreto brilhavam os trompetes
no São Gonçalo soavam castanholas
no um de Abril ouviam-se foguetes.

Nas tabernas muitas vozes e bem altas
nos armazéns de vinho um cheiro acre
as pipas muito grandes pelas ruas
e carros de bois de rodas nuas.

Mas Gaia do entardecer pelo sol posto
ainda tem magia e sobressalto
palpita doutras vidas aqui dadas
e já nenhum campo lavrado cheira a mosto.

Feita de mil cores, mil desejos
sem vielas e calçadas percorridas
inchadas de promessas não cumpridas
cidade de crianças e de velhos.

Fernando Morais
in "Voltar a Gaia"

É do seu tempo? (III)

José González Collado
É do seu tempo? (III)

A figura ímpar da Dr.ª Adelaide Estrada com os seus chapéus de rendinha sobre o rosto, abrindo de par em par as portas da sua casa ao companheiro de ideias, general Humberto Delgado, para lhe oferecer um enorme ramo de rosas vermelhas, sob o olhar atento e quase moribundo de alguns “pides”, disfarçados de passageiros do eléctrico, ou simples transeuntes?
O velho Mendes alfaiate e dono da papelaria Invicta, atrevido e mulherengo, mas indiscutível oposicionista ao regime de Oliveira Salazar?
O castiço senhor Amadeu-bem trajado e bem falante, ateu, provocador de polícias fardados e saloios – de lenço e gravata vermelho vivo, em dias que convinha assinalar?
O senhor Horácio, funcionário do “Jornal de Notícias”, que fazia da sua janela um posto de observação por excelência (a partir das 14horas), boina basca, com a internacional socialista como músico de fundo, em dia de primeiro de Maio, levantando a mão em cumprimento fino e cordial a quem passava?
O senhor Ernesto, alfaiate de gente endinheirada, que se reunia em casa dos meus pais com o senhor Eusébio, o pintor de cartazes do Coliseu do Porto, o Quintela sucateiro, vivaço e animador do grupo, o Dr. Elísio de Melo, advogado e conhecedor de grandes segredos políticos, para jogarem à sueca, ouvir a BBC e deliciarem-se com os “comeres” que a minha mãe fazia?
O senhor Alberto Barbosa, homem de teres e haveres, que cultivava amores extra-conjugais e era a delícia das más-línguas?
O senhor Luís da leiteira, onde se ia comprar o leite que chegava, pela madrugada, em enormes canados de latão, vindo da Calçada e Valpedre, ricas terras de Penafiel?
O senhor Amadeu “esgazeado” da Grande Guerra, que vivia na ilha que tomou o seu nome, e passava o tempo entrando e saindo dos carros eléctricos, porque lhe fora dispensado o pagamento de bilhete?
O senhor Armando Picheleiro, o Espanhol que reunia em sua casa gente mais ou menos jovem para simpáticas tertúlias onde era Senhor e Rei, pai de três lindas catraias uma das quais a Sara atingiu invejável patamar, galo vaidoso e atrevido!?

A minha rua era familiar e ternurenta, mas também revolucionária e, por isso, difícil de roer.
Aqui vivia-se Abril sem dia marcado. Cresci respeitando a liberdade e valorizando o trabalho.
Passaram-se cinquenta anos!
A saudade já me enche a alma.
A minha rua mudou, mas não melhorou.

Lourdes dos Anjos
in "Nobre Povo"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ELA VEIO

José González Collado
ELA VEIO

Ela veio impunemente
de olhos semicerrados
trazia um catraio à frente
e o outro de mão dada…

Ela veio impunemente
pelo meio da cidade
sem temor dos acidentes
passo rápido e altivo

Ela veio motivada
indiferente ao ruído
impune ao movimento
citadino e agressivo

Ela veio impunemente
determinada e senhora
rindo por dentro ao destino
e para ele voltada

Nem os filhos e impediam
dessa lesta caminhada
airosa e séria, semblante
de quem nunca foi mandada!...

Fernando Morais
in "Obscuridades"

Em nome dos que choram

José González Collado
Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com a esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói,
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo,
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

Ary dos Santos
lido por Fernanda Cardoso

NATAL

José González Collado
NATAL

Natal é um tempo terno e doce
Natal é um tempo de magia!
É tempo irreal que nos envolve
E desperta em nós fantasia.
É a lembrança dos Natais passados
Onde em tudo se via graça, via luz.
Natais da minha infância que saudades!
Quando até mim, pé ante pé, vinha Jesus.
E a mesa com aquelas rabanadas?
As quais eu só gostava ao outro dia.
E a mesa com tanta gente à volta?
Com tantos risos, conversa e alegria!
Que é feito, Senhor, desses Natais?
Esfumaram-se velozes com o tempo.
Deixaram-me saudades alguns deles.
Recordá-los é p’ra mim um alimento!

Maria Antónia Ribeiro
in "Sentir "

AMOR AUSENTE

José González Collado
AMOR AUSENTE

Amor ausente, amor agrilhoado,
Preso às correntes de ingratidão;
És o pulsar inquieto, amordaçado
Que faz de um querer a negação.

Amor, que adormeces as nevralgias
E a ansiedade da agitação;
Viajas à pressa todos os dias,
Enquanto bate o teu coração.

Amor vendido à vil tirania
Das palavras agrestes do desamor;
Enquanto danças na nostalgia,
Alimentas a paixão com o teu calor.

Esse calor que passeia, indolente,
À espera de uns lençóis p’ra naufragar;
É um cansaço de um amor ausente,
Que se entrega para despertar.

Jorge Vieira
in "Manhãs Inquietas"
(disponível na FNAC)

BONEQUINHA

José González Collado
in:http://josegonzalescollado.blogspot.com/
BONEQUINHA

Bonequinha se chamou
Desde o dia de nascida.
Bonequinha assim ficou
Até ao fim da sua vida.

De tão formosa que era,
Sempre usada ao abandono.
Foi flor de primavera,
Foi folha seca de Outono,

Entre vielas e becos,
Exposta sempre ao prazer,
Encontrou tantos bonecos,
Por causa de boneca ser.

Os seus sonhos de ventura,
Jamais se realizaram.
Teve vida de amargura,
Enquanto outros gozaram.

E quando ela morreu,
Na alma ainda tinha,
A mágoa com que viveu,
Num corpo de bonequinha.

Álvaro Barciela
in Simplesmente Álvaro Barciela
lido por Lourdes dos Anjos

QUASE

José González Collado
QUASE

As nossas duas almas
Quase se encontraram,
Quase se falaram
Sem nada dizer.
Quase se sentiram,
Quase se enlevaram,
Num enlevo terno
Quase de morrer!
Se os dois nos quiséssemos
Da mesma maneira,
Quase que era o Céu.
Que bom que seria!
Mesmo sem o ser,
Quase fui feliz
Quase como eu queria.

Maria António Ribeiro
in "Inquietudes"
declamado por Maria Luísa Mendonça

AMIGOS

José González Collado
AMIGOS

Vá para onde for o meu futuro pertence-vos
dedico os meus dias a escrever para vós
sou um velho pouco bonito, assim dizeis
mas com alma de rosas e açucenas…

Dentro de mim com a poesia há erva doce
plantas aromáticas beijando a paladar
o rosmaninho, o alecrim, a salvia, coentros
e o sal do mar com algas e nenúfares.

Vá para onde for o meu futuro sóis vós
um público desconhecido que vou afeiçoando
não importa se é tarde, como um vinho antigo
não importa se é cedo o desatar dos nós.

Sou o vosso poeta porque as palavras ficam
como ramos de árvores cheios de pardais
não quero outra paga, não quero outra glória
só partilhar convosco os gritos e os ais

Foi nesta cidade que fizemos ninho
foi neste rio que se nos fez imagem
quero lembrar-me de vós como bons amigos
quando chegar o dia da última viagem…

Fernando Morais
in "Quadrar"

AS ESPERAS DO AMOR

José González Collado
AS ESPERAS DO AMOR

Esperas inúteis são horas vencidas,
por impulsos que o nosso corpo tem;
Loucuras, devaneios que as nossas vidas,
Vão semeando aqui e além.

Frutos de amor, vértices de ternura,
Lânguidos cansaços, plenos de prazer,
Despertam no calor da noite escura,
Abraçados à fúria de viver.

Quantos corpos desmaiam, sequiosos,
Ao encontro de um amor a construir;
Repletos de silêncios e desejosos
Da vontade de ser e de existir.

Mãos que se unem em harmonia,
São cadeias de gestos repetidos,
Que, cobertos de dor e alegria,
Alimentam a força dos sentidos.

Jorge Vieira
in "Manhãs Inquietas"
(disponível na FNAC)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

É do seu tempo? (I)

Jozé González Collado
É do seu tempo? (I)

O pregão – “Merca cadeiras e bancos!” que as mulheres lançavam no ar enquanto desciam o Bonfim carregando, à cabeça, o que apregoavam?
O castanheiro de cesto de serapilheira e alça cruzando o peito: “Quentes e boas!”?
A cigana que pedia a mão às meninas do “Rainha” para lhes ler a sina, por cinco tostões?
O polícia vermelhudo e gordo, ostensivamente abanando o cassetete, não permitindo que mais de quatro pessoas estivessem paradas no passeio público a conversar, e avisava em tom ameaçador: “Circular…Circular”?
As galinheiras, calçando apenas uma alpercata, porque o par era para repartir com uma companheira de trabalho, com o cesto de frangos à cabeça (qual mini-galinheiro ambulante), e o galo mais atrevido de patas amarradas, preso no braçado?
A Emilinha ardina que, pela madrugada, apregoava os jornais enquanto os metia nas caixas de correio: “Olha o Janeiro! Notícias! Olha o Comércio!”?
O aguadeiro de cântaro de barro ao ombro, coberto de heras: “Água fresca. Fresquinha!”?
O peixeiro, com uma vara ao ombro e uma canastra em cada ponta, apregoando, com voz rouca de maresia e nevoeiro: “Sardinha viva! Carapau do nosso mar!”?

Se calhar não é desse tempo.
A minha rua tinha mais encanto.
Continuo a guardar as imagens, os sons e os sorrisos do meu Bonfim.
Passaram-se cinquenta anos…

Maria de Loudes dos Anjos
in Nobre Povo