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quarta-feira, 4 de abril de 2012

ONDE ESTÃO AS CASAS?

ONDE ESTÃO AS CASAS?

Onde estão as casas,
onde estão as casas?

Só vejo prisões,
só vejo caixões,
para se morrer,
onde estão as casas
para se viver?

Vejo casarões
onde o corpo vive,
não o pensamento.
Vejo torres altas
de ferro e cimento.
Olho cada uma:
tudo bem cinzento,
cor de cor nenhuma.

Tinham nas janelas
cravos, sardinheiras,
cortinas de cassa.
Quem se lembra delas
e da sua graça?

Tinham nos beirais
ninhos de andorinhas,
pequenos quintais
com dois pés de vinha.

Onde estão as casas,
onde estão as casas?

As portas não eram
forradas de trancas
eram portas boas,
eram portas francas,
portas para amigos,
portas sem ferrolhos,
portas com postigos.

Onde estão as casas,
onde estão as casas?

Vejo só gaiolas,
vejo só prisões,
vejo só quartéis,
só prédios modernos,
pequenos infernos,
passarões sem asas.

Onde estão as casas,
onde estão as casas?


Fernanda de Castro
in “Obras Completas”
lido por Lourdes dos Anjos

terça-feira, 27 de março de 2012


No descampado negro há manchas de sangue, há restos de
homens e de cavalos, há motores partidos, há metais
quebrados, e a sombra de Cristo a pairar, a pairar.

Que é dos belos moços que os velhos ricaços roubaram às mães?
Que é dos belos sonhos que os ricaços velhos roubaram aos moços?
Que é das flores silvestres que a terra não dá, ó descampado negro manchado de sangue?
Que é das flores silvestres, que é das flores silvestres, homenzinho gordo, baixo e de charuto?
Que é das flores silvestres, que é das flores silvestres, franjado tirano do bigode minúsculo?
Que é das flores silvestres, ó farto industrial de mil histórias, ó sólido capitalista, ó proprietário de mil propriedades, ó traidores ricos, ó traidores pobres, que é das flores silvestres, ó pobre gente, que é das flores silvestres?

No descampado negro uma papoila insiste
E a sombra de Cristo paira sobre ela.

Maria Almira Medina
in “Madrugada”
Lido por Lourdes dos Anjos

quinta-feira, 22 de março de 2012

Poesia Na Galeria Março




 Lourdes dos Anjos

 Fernanda das Neves
 Lourdes dos Anjos
 Alzira Santos
 Alzira Santos
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona

 Maria de Fátima Martins
 Maria de Fátima Martins
 Maria Antónia Ribeiro
Maria Antónia Ribeiro
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Fernando Morais
Fernando Morais
João Pessanha
João Pessanha
Fernanda Garcias
Fernanda Garcias

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

POESIA NA GALERIA 18-02-12


Eduardo Roseira e Alzira Santos

Roseira e Aurora Gaia
Carlos Andrade na sua viola, com Silvino Figueiredo e Armando Paraty
Uma casa cheia!
Liquito e Roseira
 Lourdes dos anjos declama 
 Libânia Madureira
 Virgílio Liquito a declamar
 Virgílio Liquito
 Alzira Santos, Daniela Lima e Virgílio Liquito
 Alzira Santos e Eduardo Roseira
 Alzira Santos e Eduardo Roseira declamandoum poema deste sobre Zeca fonso
Aurora Gaia, Noémia Travassos, Carlos Almeida e Fernanda Garcias
A fotógrafa Joana d'Assumpção
Eduardo Roseira
Uma casa cheia com Carlos de Andrade ao fundo
 Fernando Morais e Noémia Travasos em primeiro plano

 Luís Pedro Viana
 Luís Pedro Viana

Noémia Travassos
Kim Berlusa