quinta-feira, 21 de julho de 2011

Última parte da sessão de Homenagem a Manuel António Pina

Manuel António Pina



Manuel António Pina
Manuel António Pina a agradecer a homenagem prestada declamando
um poema inédito de sua autoria





 Oferta de uma serigrafia de António-Lina ao homenagiado de modo a
agradecer a sua presença

 A menina Leonor foi a escolhida para tirar o número sorteada desta sessão
 A serigrafia "Tempestade no Douro" de António lido saiu a Ana Maria



 João Pessanha com Manuel António Pina

quarta-feira, 20 de julho de 2011

TUDO O QUE TE DISSER

TUDO O QUE TE DISSER

São feitas de palavras as palavras
e da melancolia da
ausência da prosa e da ausência da poesia.
É o que falta que fala
do lugar do exílio
do sentido e da falta de sentido.

Tudo o que te disser
tudo o que escrever
sou eu a perder-te,

cada palavra entre
o que em mim é corpo
e é nela sopro.

        Manuel António Pina
     in “ Nenhuma Palavra, Nenhuma Lembrança”
         Lido por João Pessanha

A EQUAÇÃO DE DRAXE

A EQUAÇÃO DE DRAXE
 (Numa exposição de Ilda David’)

Entre duas águas
(entre H e HO)
corre uma água só
transportando a equação do mundo
até ao mais fundo
sítio do coração,
onde se torna vida o mundo
e a água respiração.

Vinda do mundo,
corre para dentro a vida da pintura,
entre tempo e tempo,
líquida e pura.
Volta-se uma última vez para trás,
e a única coisa que dela vês
é o seu olhar olhando-
-te e desprendendo-se de ti.

                             Manuel António Pina
                             in “ Nenhuma Palavra, Nenhuma Lembrança”
                                      Lido por Ana Maria

AMOR COMO EM CASA

AMOR COMO EM CASA

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
                               Manuel António Pina
                               in “ Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo.
Calma é Apenas um Pouco Tarde”
                                       Lido por Miguel Leitão

A BOCA E OS OUVIDOS

A BOCA E OS OUVIDOS

As palavras depõem
contra o coração,
que não quer dizer nada
nem ouvir nada.

As suas mãos alheias
tocam balbuciando
o meu coração.
Como se lhes negará o meu coração?

A baba do sentido
devassa a minha boca
com sórdidos ouvidos.
Como me calarei? Sem que palavras?

Oh, apenas um instante de silêncio,
uma palavra de
harmonia e solidão,
de morte e de indistinção!

            Manuel António Pina
            in “ Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança”
            Lido por Irene Lamolinairie

PALAVRAS INSONORAS

PALAVRAS INSONORAS

Há base de palavras insonoras
e alicerçadas num tempo irrepetível
irrompe doutras noites castradoras
a luz imperturbável do tangível.

Qual Fénix renascida dos escombros
no oblíquo olhar das coordenadas
constelações pungentes nos assombros
são o esplendor de silhuetas desnudadas.

E dos idílicos despojos inventados
pelos relógios que batem a desoras
fenecem gritos na voz de tão calados
em decibéis de palavras insonoras.


Kim Berlusa

POESIA 20 JULHO 2011

 Maria de Fátima
 Maria de Fátima

 Maria Teresa Martins Risco
Maria Teresa Martins Risco
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 João Pessanha
João Pessanha
Manoel do Marco
Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
Irene Lamolinairie
Kim Berlusa a ler um poema seu em homenagem a Manuel António Pina
 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
Kim Berlusa
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
Ana Pamplona