terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sessão Poesia 20-08-11


 Ana Maria
 Ana Maria
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 Ana Almeida Santos e Virgílio Liquito prestam atenção a Manoel do Marco

 Manoel do Marco
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona

 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
 Idiema
 Idiema
 Idiema
 Ilda
 Ilda
 Ilda
 Amândio Vasconcelos
 Amândio Vasconcelos
 Amândio Vasconcelos
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito


 Entrega da obra sorteada a Fernanda Garcias


20-08-11 Poesia na Galeria

Mais uma vez, este nosso espaço se enche com os poetas habituais dando continuidade a um evento de poesia que, desde os idos 2009, mês a mês, por aqui se repete cada vez com mais qualidade e entusiasmo. É já um serviço público de divulgação da poesia portuguesa. Esta atenção permanente dos poetas tem permitido que se traga a público declamadores de excepção e poesia inédita dos bons autores que por aqui têm passado.
 Fernanda Garcias e João Pessanha
 Armando Paraty
 Armando Paraty
 Armando Paraty
 Maria Lourdes dos Anjos
 Maria Lourdes dos Anjos
 Maria Lourdes dos Anjos
 Maria Lourdes dos Anjos
 Maria Lourdes dos Anjos
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 João Pessanha
 João Pessanha
João Pessanha
 Silvino Figueiredo, o Figas de Saint Pierre de lá-buraque
 Silvino Figueiredo
 Silvino Figueiredo
 Leonor Reis
 Leonor Reis
 Leonor Reis
 Ana Almeida Santos
 Ana Almeida Santos
 Ana Almeida Santos
 Ana Almeida Santos
 Teresa Gonçalves
 Teresa Gonçalves
 Teresa Gonçalves

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

AMOR NUMA TARDE DE VERÃO

Há um princípio de tarde de verão
Um silêncio que renega o não
Há um festim de beijos
Uma romaria de desejos
...Uma espera que desespera...
Há depois uma colheita farta
Num morrer amando que não mata
E há um sonho que não quer acordar
Enquanto o sol se recusa hibernar.
Se assim acontecer
Se assim for
Deixa-o ficar
E chama-lhe AMOR

LOURDES DOS ANJOS

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Não me chateies

Não me chateies

Não me fales,
Para quê falar?
Então meu olhar não te diz nada?

Não me chateies,
Basta que para mim olhes,
Porque cada momento
Do teu doce olhar
Vale o dobro do teu falar.

O meu olhar
Expressa meus desejos,
Não precisa de falar,
Só quer que me cubras de beijos,
Com eles não me consegues chatear!
Para quê falar?
......................xxxxxxxxxxxx......................
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(o Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque)Gondomar

No varandim da lonjura


No varandim da lonjura
e por um instante enfeitiçado
peço aos olhos candura
e à voz um obrigado.
No varandim debruçado
e disperso em melancolia
eis o crepúsculo, brotado
do lânguido, morrer do dia.
Estende-se a noite, aos poucos
num lastro de neblina
voam sombras e correm loucos
presságios nus ,em surdina.
No varandim da lonjura
o silêncio expectante
emoldura essa pintura
sublime e estonteante
Oh, que lúcida loucura
 percorre o meu semblante
no varandim da lonjura
fico perto  do equidistante…

Kim Berlusa

CORAÇÃO

CORAÇÃO

Tu, coração, és fonte de energia
vibrante e quente que nos faz viver,
sentir alguns momentos de alegria,
passar anos imensos a sofrer.

Tu és alfim, mais dia menos dia,
(porque sofreste) a mina de saber
onde encontramos a sabedoria
que o sofrimento inspira a todo o ser.

Tu és, oh! coração misterioso,
ingénuo às vezes e outras criminoso,
o nosso gozo e a nossa maldição!

Como eu queria, pobre e atormentado,
nunca te ter sentido ou escutado
- ou ter-te sepultado, oh! coração!

Oliveira Guerra
in "Algemas"

entre o abismo da fome e a vertigem da abundância


entre o abismo da fome e a vertigem da abundância
és raiz entrelaçada num destilado afago de ternura
por mãos calosas de enxadas e arados com esperança
maçã calcada pela lucidez e loucura

e na distância do empréstimo que temos
em ti flutua com sentido o tempo
o Verbo te devolve por completo
tudo que alimentas com amor neste deserto.

somos rouxinóis e andorinhas de inquietação
sangramos o teu corpo para colher o pão
e quando deixamos a tábua onde nos apoiamos
não é de joelhos que a ti chegamos
já com olhos de fresco barro
vegetais adormecidos e frios
seremos míseras migalhas.
alimento. alimento. alimento
dos vermes que vivem nas tuas entranhas.

Teresa Gonçalves
in "Pleno Verbo"

GESTAÇÃO


GESTAÇÃO

Sento-me a esta mesa e
deixo que a nostalgia me invada e
se escoe pelo braço
brando,
inicialmente mole,
flébil,
e se imprima em caracteres distraídos,
receosos,
maculando aos poucos o cinza baço e neutro
da folha de papel.

Mas eis que emerge um impulso,
uma emoção,
um rastilho,
ou seja lá o que for ainda mais explosivo,
e os caracteres incendeiam-se,
ganham luz e brilho e força e vida!

E o poema alevanta-se
como bandeira a desfraldar ao vento:

Grito a desbravar
inexpressivos silêncios!

Olímpico facho
a traçar itinerários na noite
e a consumir-se!

 - O sacrifício em louvor dos Deuses.

Miguel Leitão
in "O tempo e as coisas"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

FLORAIS OUTONAIS


FLORAIS OUTONAIS

Ténue, a luminosidade fica,
Diminui o dia,
Aumenta a noite.
Mas as estrelas, o sol, a lua,
Permanecem lá,
A brilhar, a brilhar,
E as flores, a nascer continuam!

Amarelado, vermelhado, alaranjado,
Tons comuns se tornam,
As cores, outras, todas,
Num cuidadoso florir unem-se,
Majestosos outonais florais,
Essas incógnitas flores,
Para uns e outros desconhecidas,
Na alma bordadas,
A cor de todas as flores tem!

Estado de espírito,
Outono parece,
Das cinzas, renasce,
Floresce!
Pintado a vários tons,
Garridos, mesclados, discretos,
O outro lado da alma,
Numa dimensão e visão outras,
Florejar sorrisos,
Novo ciclo denunciam,
Qualquer ser encantam,
E nova vida inicia!
Natural,
Como um bom filho,
Da Natureza Mãe!
Cristina Maya Caetano

VERMELHO E PRETO


VERMELHO E PRETO

No raio de sol no calor do lume
na brasa acendida do aceso amor
perpassa às vezes um súbita frio
apesar do fervor no finíssimo gume

Apesar do horror da pretíssima noite
distingue-se às vezes por entre o negrume
um fogo vivo devorando aflito
a sua própria cor…

Esconde, esconde amor estas palavras
o amor que nos une é clandestino
porque hoje a ternura é coisa rara
e tem inimigos à esquina

Esconde, amor, o nosso amor
que é transgressor da vida das viaturas
feita de fumos e lixo deitado à rua
e a ternura não é bem vista nem aceite

Esconde amor que estás feliz amando
agora só quem mata plantas, fere rios
tem o direito de falar e circular
e esses são os donos das cidades

Por isso esconde já os nossos versos
e as mensagens de carinho que trocamos
os automóveis matam, gazeiam
escurecem o mundo onde estamos

Uma frase doce ciciada ao ouvido
ou dita de olhos nos olhos penetrante
com aquela chama calma e sedutora
como é próprio do humano ser querido

Uma palavra assim doce e perfeita
já não se houve no planeta inteiro
porque o som das viaturas é única colheita
de ruídas, no actual viver, cruel, grosseiro

Tanta falta nos faz a doçura da harmonia
que a nossa vida sem ela é insana
e por isso digo aqui em voz baixinho
amor, amor, suave luz, terna alegria…

Com este ritmo coisas, dos gestos
as indiferenças partidas ao meio
e o Universo repleto cada vez mais cheio
das palavras obscenas que se dizem na Terra

No meio das galáxias até já fazem furor
tantas palavras feias que se dizem por cá
e os pobres planetas têm de escutá-las
sem nada terem feito para um tal castigo

As palavras circulam por esse espaço fora
ferindo os átomos em perceptíveis sons
Mostram o que somos, nem maus, nem bons
sons de palavras dum povo que chora.

Com as mãos que temos e que o Sol nos deu
para bater palmas aos nossos locutores
com essas mãos cuidamos de rosas no quintal
e embalamos as crianças dos primeiros dias

Com estas mãos fizemos cordões no 1.º de Maio
e dançamos ao luar da bendita esperança
com elas não devemos alimentar a usura
dos vazios da ideia, campeões da incultura.

Em Setembro cultivei os tempos livres
para alcançar gaivotas sobre o rio
depois, já cansado retirei as asas
e fui pendurá-las num armário

Daí me veio a queimadura de voar
que se insinua pelos dedos onde há unhas
onde sólidos penedos pressupunhas
serem esculturas de homens de outras eras

Em Setembro, porém, cresci todas as tardes
que eram feitas do bolor dos dias
nem sei se ri por dentro ao tocá-las
só sei que se desfizeram nos meus dedos

Em Setembro ouvi música curativa
foi do mais barato que Setembro deu
a quem estava de partida

Donde vem esta luz, este oásis
do Capital, selvagem, triturador
com que engana os papalvos, os ignaros
basbaques das lantejoulas, do circense,
deslizando no visco lisbonense?

Donde vem esta fúria de comprar
este odor mecânico dos berloques
poluição mental e nauseabunda
destes humanos a reboques
em servidão perpétua e tão profunda?

Donde vem?

Apenas o silêncio me acalma e ilumina
apenas a amargura me dá forças
não consigo perceber a alegria
nem sei que fluxo ri quando se riem.

Donde vem a tristeza isso sei eu
que o Norte tinha com tanta impertinência
ainda era novo e ria na minha adolescência
E agora? Porquê esta amargura? Quem ma deu?

O tempo que passou, as rugas que tão bem se lêem,
é apenas tempo. São apenas rugas
os anos que as fizeram, esses, não se vêem
ficaram lá atrás desfeitos nas alturas.

Agora vivo com o que o Sol me dá
e a apatia quer vingar por dentro dos meus dias
mas eu luto e ferro-me para trincar as frias
alvoradas de inverno. Ora aí está!

Plantamos as ruas, as avenidas
no meio das antigas quintas e pomares
plantamos prisões de cimento e vidro
onde só dormimos pesadelos.

Afogamos a vida com recibos e facturas
inundamos a existência com venenos
de automóveis que chocam uns nos outros
e não vão nunca ao seu destino.

Fritamos as tardes com lixos e dejectos
e emporcalhamos as árvores que restam
com sacas de plástico e ruídos.

Deixamos os filhos neste inferno
sem presente, sem futuro, sem memória
a caixa registadora dá as horas
e os pneus rebentam sem estrondo.

As carcaças dos pobres povoam-se de vermes
e a bandeira nacional ondeia esburacada
ninguém sabe cantar o nosso hino
nem os acordes de Grândola Morena
mas sabem onde comprar o pó
de todos os suicídios colectivos.

Que podia eu fazer senão escrever poesia
como asceta dos sonhos irrelevantes
e burilador de fatais imposturas?

Que podia eu fazer além de imaginar o livro
chamando baixinho no meu quarto às escuras
por um momento desses que são ouro de lei
e que surgem às vezes sem se saber como?...

Ao segredo das curvas, ao sorriso
corpos em movimento que adoçam a paisagem
e as formas juvenis que dançam, que volteiam
riscando o ar de luzes e imagens…

Ao livro aberto sobre a praia reluzente
ao olhar da criança solitário e penetrante
a realidade é feita do que é movente
e só os olhos falam a suprema linguagem…

Fernando Morais
in O Poeta Escondido

POEMA DA ESPERA


POEMA DA ESPERA

A vida é somente espera;
disso tenho consciência.
Minha alma não desespera,
sou feita de paciência.

Esperei crescer um dia,
esperei filhos nascerem,
esperei numa agonia
a hora dos pais morreram.

Nestas esperas, que dores!
Às vezes perdi o norte…
Depois de tais dissabores
fico à espera da morte!

Tudo que esperei da vida
foi por demais e o perdi…
Mas sinto-me agradecida
pelo muito que recebi!

Espero a lua brilhante,
espero a noite calada;
assim, me deito esperando
a hora do zero, o nada!

E no tempo pressentindo
com os olhos feitos vitrais,
a pena que irei sentido
por não esperar jamais!
Sempre esperar…esperar…
esta é a saga do mundo!
Depois de tanto ansiar
cair num sono profundo! 

Maria de Lourdes Martins
in Castelo de Legos

SÉCLO BINTIUM


SÉCLO BINTIUM

Esquecidos os sestércios
E os morabitinos,
São dólares e esterlinos
Os foragidos da forca
E os nobres piratas
São, hoje, almas de apaches
Que, de tomawak com asas
Fazem filmes no Iraque,
Cozem ovos e chechenos
Rapinando bananas,
Petróleo e açúcar de canas,…
O que resta dos ducados e dobrões,
Até ao último ceitil,
Desde os diamantes angolanos
Até ao «pitrol» dos timoranos.

Hoje, os biliões são milhões,
cem, são apenas cêntimos,
E mil é metade de cem,
Na bolsa dos mamões!

Grandes pecados,
Pobres pescadores…
A Terra Nova é Hollywood,
O Hawai é da União,
Viva o nescafé descafeinado,
A cocacola e a cocaína,
Vivam os rambos e a heroína.
«Chuinga», drops e donuts!
Abaixo o bacalhau,
O azeite e as castanhas!
Tudo enlatado,
Mesmo que estragado!
Seios ao léu,
Cartaz visual,
Viva o plástico
E o sexo oral…
Viva o Pentágono!
Abaixo Salomão!
Só resta clonar
Mónica ou Clinton!
É tudo «nice»,
A «overdose» já é fartote…
Ser feliz é ser farrapo

Das alfurjas de Nova Iorque!
E sapatos de ténis,
Brincos nas orelhas,
(Para esquecer os arganéis
Dos porcos sem peste)
É sinal de virilidade!

Cabelos rapados,
Por excessos de lêndeas,
Ou compridos,
Para imitar a putéfia,
Não sendo Lucrécia,
É sinal masculino!
E o telemóvel?
É moderno,
É uma cabine na mão
Ou no ouvido, de borla!

«Notáveis»…
Batráquios, aracnídeos,
Extraterrestres,
Desenhos animados,
Borrados…

E que mais, que mais?
Que mais? Batatões, saltões,
Com «música-barulho»
Desde os queixumes dos escravos,
Até ao desespero
Dos índios encurralados!

Noitibós de discoteca,
Herdeiros de doutores
Com filhos de «chaufeurs»
E de jardineiros,
Dizendo-se não pais de filhos
Das filhas de caseiros!
Roceiros, volframistas,
Actores de bailes de Cascais,
Autores do «periúdo» em Portugal,
Antifascistas «argelenses»
Sem penas do Tarrafal!...
Augustos, divinos,
Fidelíssimos, beatos,
Camarlemgos,
Santos com vida,
Veneráveis…
Sanguessugas, vampiros…
Espectadores de archotes humanos…
Da ciência sem dogmas!

Esclavagistas,
Fabricantes de mulatos!
- Oh, Maria!
Tira os óculos de «cabelo»
Para não ganhares brancas!
Verás que após a menopausa
Parecerás uma sueca,
Lourinha…
Não sendo «puteca».

Quem comia francesinhas
E rilhava pregos
Vê-se, agora, lamber «gelatti»
E a devorar pizzas…
Grandes, familiares, médias!
Quem foi «borrachão»,
«Homem de tasco»,
Amigo de Noé e convidado de Caná,
Hoje, ou é papa-hóstias sem vinho
Ou lambe-botas de moralistas,
Socialistas ou fascistas,
Filhos de Constantino,
Esquecendo romanos,
Suevos, vândalos e alanos,
Bêbados de whisky,
Esquecidos dos leprosos,
Muito honrados,
Sendo «sidosos»…

Nabos, pacóvios,
Não de Bordalo Pinheiro
Mas de importação da CEE…
Adeus Zé Povinho…
Bravo, Ambrósio!
Um biscoito para parlamenteiros,
Um copo de vinho para ministros,
Mais uns quilos de ouro
Vendidos sem riscos…

Assim, é que é!

- Que havemos de fazer?
- Sexo!
Pronto remédio para tudo:
Parkinson, Alzheimer,
Foot-ball, roc and roll…
- Remédio para tudo?
- Menos para a SIDA,
Doença pela América vendida!...

Manoel do Marco