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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mar

Aníbal Alcino
Mar

A linha minimalista do oceano
está em pranto
dividindo a compasso a terra e o céu!
Nem o barco pesqueiro ao passar
o rasga por entre a bruma
nem faz com que se esfume
esta realidade conceptual:
céu, terra e mar!
Tão simples como o cheiro
intenso
de um roseiral outonal!
As saudades do mar encapelado,
mar bravo da minha infância,
mar de Espinho, são muitas!
Em criança,
eu e a restante filharada,
espartilhados em roupa domingueira
que se despia numa barraca às listas
de madeira colorida,
cobria de gritos o areal!
Jogava-se ao prego e ao mata
e comia-se de quando em vez
um pastel de nata!
Pelas dez horas era sagrado,
o senhor banheiro Bernardo,
agarrava-nos o braço com força:
e Zás-trás, três mergulhos seguidos
nas ondas frias, salgadas!
A mãe de vigia perfilhava
as toalhas felpudas
que limpam a água e as lágrimas!
Um copo de leite quente
afugentava o frio
e tudo voltava ao equilíbrio!
Maria Olinda Sol

sábado, 30 de outubro de 2010

LINHA DO MAR

Aníbal Alcino
LINHA DO MAR

Dilato os olhos,
Fascinados!

Percorro o azul que se oferece
Na pureza da ampla curva
Horizontal,
Alongada,
Aberta:

- a fronteira entre o céu e o mar.

Assim teu corpo,
Viola curvilínea,
Fascinante,
Distendida,
Oferecendo-se a meus dedos
Que acendem na noite baladas de fogo,
Baladas de amor:

- a fronteira entre a vida e o sonho.

Miguel Leitão
in Em nome das palavras