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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CUIDEI



CUIDEI

Cuidei que tinha escapado
e afinal também morri.

Olhei perplexo no espelho
olhei para mim não me vi.

Morri por dentro um pouquinho
todo o tempo que vivi…

deixei que a raiva acalmasse
deixei que a dor esquecesse
já olvidei o que perdi…

Morrer sim, mas devagar,
é uma velha tradição.

Deixei o fogo apagar
deixei a terra esquecer
é a pátria a entardecer
é o morrer devagar.

Cuidei que tinha escapado
e afinal também morri.

Salvador/Baia 1979
              
Neves e Sousa
in “Macuta e Meia de Nada”
lido por Carlos Ramos

sábado, 1 de outubro de 2011

POESIA NA GALERIA, 24 Setembro


 Acilda, Fernanda Garcias e Ana Soares

Carlos Ramos e Óscar Almeida


 Lourdes dos Anjos
 Cristina Maya Caetano e Eduardo Roseira
pintores Hernâni Fernandes e Maria Vaz
 Luís Pedro Viana

 Carlos Ramos




 Eduardo Roseira declama
Lourdes dos Anjos
 Lourdes dos Anjos
 Lourdes dos Anjos
 Fernando Morais
 Fernando Morais
 Maria de Lourdes Martins
Maria de Lourdes Martins

ANGOLANO


ANGOLANO

Ser angolano é o meu fado e meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras…

A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças doutras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento.

Salvador/Bahia

Neves e Sousa
in “Macuta e Meia de Nada”
lido por Carlos Sousa Ramos