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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

RECADO PARA UMA SENHORA


RECADO PARA UMA SENHORA
 
Sim é consigo que falo
para si, que é extraordinariamente boa e santa
tão pura, educada, ma tão desenxabida
- Vá, mostre suas unhas felinas e arranhe
“se elas não estão gastas pelos tachos”
incapaz de ter um mau pensamento sequer:
ou de o praticar no mais recôndito de si
que sabe coser e descoser vidas alheias
até sabe arranhar o piano e ronronar…
até sabe dar gritinhos na cama
como mandam os almanaques de alcova
… e cumpre regular e pontualmente
os seus deveres de esposa
sabe fazer todos os pratos culinários,
os triviais, os bestiais e outras que tais
tão perfeita, tão fria, tão mármore
- Vá acorde! – viva uma vida vivida
uma vida com dois VV muito grandes
acorde, olhe! tudo vegeta, -você também!
- não mais a rotina, a monotonia, esta agonia
este dia-a-dia desgastante que asfixia
tudo em si está morto, amorfo.
Tão pudica que se diz incapaz de estar nua consigo própria:
- que estupor de pudor
Vá, não tenha medo de dizer
que ama tudo e todos, este, aquele e outro
que a cada momento nasce em si uma paixão
que se renova dia a dia; - Vá, diga que ama!
Ame com todas as forças do seu ser
ser
você existe>
Não tenha medo de Si – nem dos outros –
É preciso coragem para ser Mulher
sacuda o papão do sótão
dispa os preconceitos, e nua deite-se
na orla da praia na maré baixa, e então;
… quando a água a de leve
tocar os seus delicados pés, então sim! – deixe-se,
deixe-se possuir pelo mar – a Vida pára! –
deixe e goze o momento supremo que é a água
toda sal crescer dentro de si, e inundá-la toda…
… então sim, viverá e será Mulher
                                                           aceite o meu Recado
- este meu recado.
                                   … mas é muito difícil ser Mulher! 

Aurora Gaia

terça-feira, 23 de outubro de 2012

POESIA NA GALERIA, 20 de Outubro

 
 
 
 
 
 
 
 
 Aurora Gaia
 Aurora Gaia
 Maria Celeste Dias
 Maria Celeste Dias
 Miguel Leitão
 Miguel Leitão
 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
 Maria Antónia Ribeiro
 Maria Antónia Ribeiro
 Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 Luís Pedro Viana
 Luísa Pedro Viana
 Ana Maria Roseira
 Ana Maria Roseira
 César Carvalho
 César Carvalho
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 
António Cardoso
 António Cardoso
 Ilda Regalado
 Ilda Regalado

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

- Sol: és tão quente, mas tão doloroso!


- Sol: és tão quente, mas tão doloroso!
Tens a força da certeza, tens a força do dia;
Essa força dolorosa, com que te apoderas de mim
Já não te consigo olhar, tão forte tu és, - eu tão frágil
Tão frágil que já dificilmente te resisto
- Mas também não valia a pena resistir-te
Mais cedo ou mais tarde eu sucumbiria!-
A minha capacidade de resistir chegou ao fim…
Já não consigo amar;- ou ser amada!
Já não consigo querer;- ou ser desejada!
E tu Sol, já de tal maneira me envolveste
Que não tenho forças para me libertar de ti.
Oh Sol! O meu corpo relaxa-se numa dádiva à morte
Os meus olhos que diziam ser negros; estão pardos!
As minhas mãos sempre ansiosas na procura; inertes
A minha boca rosada, fresca, gritante; murchou, emudeceu!
O meu sexo de onde brotava a vida; secou!
A minha cabeça fervilhante de ideias; está vazia, oca!
O coração de tanto se dar, aqui, ali; já não o tenho!
Os meus peitos onde corria o leite da vida; secaram!
E até os filhos que pari, já não são meus; esvoaçaram!
Oh Sol; porque me castigas assim?
Deixa-me agarrar o canto dos pássaros, que ouço ao longe
Deixa-me agarrar o verde das árvores; tão refrescante!
Ai! Esta luta tão dura e cruel, tão desigual
Deixa-me responder ao chamamento da sombra verde e fresca
- Sol cruel porque me desnudas assim?
Sol, cruel e vencedor
Já não tenho forças para agarrar o canto dos pássaros
Já não tenho forças para me arrastar até ao verde
- Assim me vou aos poucos e poucos
            Assim aos bocadinhos 

Aurora Gaia

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fotos Poesia na Galeria

 Lourdes dos Anjos
 Lourdes dos Anjos
 Ângelo Vaz
 Ângelo Vaz


 Serigrafia de Aníbal Ancino a sortear pelos poetas presentes

 Aurora Gaia foi a sorteada da sessão

 A entrega da obra

18-08-12 Poesia na Galeria

 Aurora Gaia
 Aurora Gaia
 Idiema
 Idiema
 Eduardo Roseira
 Eduardo Roseira
 Maria Augusta da Silva Neves
 Maria Augusta da Silva Neves
 João Pessanha
 João Pessanha
 Luís Pedro Viana
 Luís Pedro Viana
 Eduardo Leal
 Eduardo Leal
 Silvino Figueiredo
 Silvino Figueiredo
 Virgílio Liquito
Virgílio Liquito