Mostrar mensagens com a etiqueta JOSÉ GONZÁLEZ COLLADO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JOSÉ GONZÁLEZ COLLADO. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de maio de 2012

COMER


óleo de Collado
COMER

Vou comer
rodelas de beringela,
fritas em azeite  e alho
e ainda um prato inédito:
frango molhado em mel!
Sinto um certo embaraço
ao continuar a desfiar
o meu prazer de comer,
mas vou acrescentar ao repasto
uma mão cheia de morangos
e figos regados por moscatel!
Esta coisa simples que é comer
pose ser algo grande:
a vida em transformação,
o namoro começado,
matada a fome,
saciado o desejo!

Maria Olinda Sol

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quadros Collados

Quadros Collados

Pedras vieram de pedreiras,
Vítimas de tiros,
Estilhaçadas em blocos,
Sofreram retoques
Foram aparelhadas,
Em paredes montadas,
Paredes nuas, amarelecidas,
Cinzentas!

Felizmente que pinturas,
Em quadros imponentes,
Retratam populares figuras,
Que cobrem a nudez das pedras
Para ouvirem Poesia na Galeria Portuense,
E assim,
Quadros Collados nas paredes dependuradas,
E versos por poetas cantados,
Justificam a vinda à Galeria de Pintura, aos Sábados,
Para ouvir poesias
E ver as pedras despidas,
Mas cobertas com Collados pinturas
E felizes de assim se verem vestidas!

.......................xxxxxxxxxxxx.....................
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(o figas de saint pierre de lá-buraque)
Gondomar
(nota: feito durante a sessão se poesia, na Galeria Vieira Portuense,
dia 19/03/2011 e oferecido ao pintor Gozález Collado)

sexta-feira, 18 de março de 2011

FEIRA DA MINHA INFÂNCIA

José González Collado

FEIRA DA MINHA INFÂNCIA

A feira da gente da minha aldeia
era à segunda-feira!
O Domingo prolongava-se
num ritual atarefado –
- separar a roupa da arca:
saia de merino preto,
a blusa de chita florida,
o lenço verde estampado,
afagando o cabelo negro
apanhado com ganchos de osso
dourados,
a chinela de tacão
e uma saca de pano bordada
à mão!
O dinheiro não chegava
para a carreira,
ia-se a pé,
em ranchadas
de belas candidatas a namoradas!
Pelo caminho
cantava-se ao desafio
canções de trabalho
suadas!
Comprava-se o que as leiras
não davam:
o bacorinho, o vitelinho
as fazendas para o bragal,
o enxoval de mancebo
que ia a sortes
naquele ano,
os ouros
para as moças casadoiras,
os docinhos de amor
repartidos ao serão!
Os cheiros inebriavam:
fruta, melaço,
o borbulhar da solha frita,
as ervas de cheiro
escolhidas a dedo,
os chás de camomila e cidreira!
Uma leve troca de olhos
anunciava
companhia para a caminhada,
o rapaz com grande lábia
declarava-se
com frases muito alinhadas!
O fim da festa era triste
e cansado
terminado o sonho
que levou uma semana inteira
a encenar!
Maria Olinda Sol

PEQUENO-ALMOÇO DE DOMINGO

José González Collado

PEQUENO-ALMOÇO DE DOMINGO

O Domingo era de amoras,
dispostas por sobre a mesa,
numa geleia gelada,
barrando a fatia escura,
do pão cozido de madrugada!
O leite quente aguçava
a vontade de provar
aquela brancura perfumada
com canela e
pedaços de maça!
O queijo salgado de cabra
rescendia,
em tosta estaladiça,
preparando o paladar
para os figos
pingo de mel,
servidos com o orvalho
da manhã!
O cheiro a café era intenso
caindo de um saco surreal
e as dores morriam
no repasto matinal!
E a família reunida
deitada nesta ternura
fazia parar o tempo
e dava graças à ventura
de poder saborear
esta refeição divinal!

Maria Olinda Sol

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não sei se isto é amor

José González Collado
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te, não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo…
Eu não sei que mudança a minha alma pressente…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

                                           Camilo Pessanha,
                                                            in "Clepsidra"
                                                        lido por Miguel Leitão

COMO A ROCHA

José González Collado

COMO A ROCHA

Meu velho Amigo Serrano
feito de granizo e de vento,
e de sol doirado
e quente
dos dias bons:

Nunca te dei um abraço.
gesto que não tem a ver
contigo,
com tua aparência
teu porte,
e tua forma de ser.

És rude,
és rijo e és forte,
esculpido em pedra dura
e firme,
como a amizade tem de ser.

                 E a tua é.

Meu Amigo Serrano:
O teu braço é força de aço,
pode sempre,
pode mais
e tu podes mais ainda
que o teu braço.

                Com ele eu posso contar
                e contigo.

E sob esse aspecto tão rude
há a arca do teu peito
onde guardas os segredos
e os teus filhos
e os amigos
e todos aqueles de quem gostas.

E lá no meio de tudo,
desassossegado,
descomposto
e com ritmo descompassado,
escondes um coração
de mel,
ou de manteiga,
podre de tanta afeição.

Meu Amigo:
Perdoa que te chame rude.
Olha,
vou deixar-te este segredo:

                   Estar contigo
                   tem grude
                   e as horas passam depressa.

                              Miguel Leitão

CONTINUIDADE

José González Collado
CONTINUIDADE

Sonha a gente projectos e propostas,
De um dia fazer algo e ser alguém
Mas o tempo demora nas respostas,
E como tarda a hora desejada,
O dia sonhado nunca vem!

Vão-se os dias e os sonhos vão morrendo,
O tempo vai ganhando em frustrações;
Com os anos, a vida vai perdendo,
Num desgaste constante à própria alma,
O pouco que ficou duma ilusão!

Mas, de seguida, o sonho é renovado,
Abrindo outros caminhos, novos trilhos,
Mistura de presente e de passado,
Com estrelas na senda do futuro,
E outros sonhos – que são dos nossos filhos!

Moreira da Silva
in "Claro-Escuro" - Poesia de esperança e desalento - Gaia, 1985
lido por Eduardo Roseira

CREPÚSCULOS

José González Collado
CREPÚSCULOS

Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d’ais comprimidos…
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.

As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados,

Sentem-se espasmos, agonias d’ave,
Inapreensíveis, mínimos, serenas…
- Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.

As tuas mãos brancas d’anemia…
Os teus olhos tão meigos de tristeza…
- É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.

                                                   Camilo Pessanha
                                                            in Clepsidra
                                                   Miguel Leitão

COMO O LIMO

José González Collado
COMO O LIMO

Meu Amigo Varino,
que me escapas pelos dedos
quando te pretendo agarrar.

Como o peixe, como a enguia, como o limo
tens jeitos de te escapulir,
de te soltar
dos meus braços,
de escorregar
do meu peito
quando te quero cingir.

Meu Amigo Varino:
és como a água corrente,
que a cantar
desde a nascente
se oferece à nossa boca.

A que agora me convida
e em que mergulho a taça
é já outra,
é já diferente!

Tinham os Gregos por certo
que não bebemos duas vezes
da mesma água de um rio.
A que há pouco se me ofereceu,
aqui perto,
já não é a desta taça.

Já lá vai,
mas muito à frente,
a sorrir e a saltitar,
à procura de outras taças
para saciar novas sedes
e refrescar
nova gente.

Assim contigo,
meu Varino Amigo.

Já bebi a minha dose.
A sede volta a apertar
e a taça está vazia!

Com que água irei enchê-la?

Miguel Leitão

sábado, 12 de março de 2011

Canto à Vida Peregrina

José González Collado




Para todos que amam a vida
Que não se lembram de terem optado por nascer
Mas que não desejam a morte desde que se descobriram vivos!
Valdecy Alves

Vi o mendigo feliz
No sinal fatal do cruzamento da rua...
Li que o milionário infeliz
Matou sua mulher depois matou-se!
No mesmo quarto de motel
Onde fizeram amor! Amor?

Vi o cantor de invejável sucesso universal
Em plena decadência criativa e moral
Devorado pela mídia cancerígena que o criou...

Vi o sertanejo nos confins do interior atrasado
Entre mosquitos famintos, espinhos dolorosos
E calor insuportável...
Feliz sem os dentes
Ao lado da mulher desdentada
E seus dez filhos desnutridos e mal vestidos...

Soube da sexy atriz e símbolo de sensualidade
Deusa de tantos desejos e onanismos
Que se jogou do prédio
Completamente drogada
Voando para o seio da morte
Sem qualquer eficácia no arrependimento
Sem qualquer possibilidade de recurso...

Ouvi falar de um deficiente nanico, gay...
Negro, gordo e perneta
Que ao chegar a um bar
Espantava o tédio e parecia
Trazer consigo a alegria máxima
Que despertava a máxima alegria
Em todos que o rodeavam...

Sei do cego sábio e repentista
Que se tornou lenda
Cantando e declamando suas poesias...

Muitas vezes vi a prostituta da ponta noturna da rua
Que simbolizava todo o encanto, beleza e luxúria
Jamais vividas!
Que cobrava pelo prazer passageiro
Porém de graça espalhava contagiante felicidade
Como o sol raios de luz
Ao contrário da madame frugal, artificial
Que mal amava e era mal amada
Macaca das colunas sociais
Que cobravam fortunas para exibicionismo inútil
Prédio de alicerce fácil
Das areias do vazio orgulho...
Sei que a serpente
Sem perna e sem mãos
Respeitada e temida
Não alvo da piedade
Na maravilhosa floresta
Onde a vida é regra
Flor que brota da putrefata morte!

Sei do morcego cego
Que mora na caverna escura
Onde também é inquilino o odor do mofo
Mas que voa e voa alto! Altíssimo!
Com as pontas das asas tocando estrelas...
Como nenhum Ícaro jamais voou!

Sei das frágeis gotas de chuva
Que se tornam rio e depois mar
Percorrendo milhares de quilômetros
Sem bússolas e sem pernas...

Sei do músico cadeirante
A tocar no baile em pleno carnaval
Com suas músicas e notas
Mais feliz que o mais ridente dos foliões
Com o seu pó e sua bebida
Em infinita embriaguês!

Assim, amigo!
Assim, amiga!
Não há equação objetiva para felicidade
Não há fórmula subjetiva para o paraíso
Mas há espaço para o sonho infinito
E para luta sem fim!
Sonhar e lutar e sonhar e lutar e sonhar...
Como o vai-e-vem das ondas do mar na praia
Como o vai-e-vem sobre a mulher amada...
Afigura-se como a maior das ferramentas!
Para maior das possibilidades!

Valdecy Alves
Escrita em 05/03/2011 - Fortaleza (CE)

quinta-feira, 10 de março de 2011

MULHER, TEU CORPO É O JARDIM…

José González Collado

MULHER, TEU CORPO É O JARDIM…

Teu corpo é o jardim onde germina,
O desejo, o amor e a vida humana.
Teu rosto é flor, tuas mãos são rama,
De bondade imensa e genuína.

Tens a semente da vida em tua sina.
E para quem te fecunda e te profana,
Com a alegria e a dor que em ti se ufana,
Rasgas em mãe, tua candura de menina

E em teus braços que embalam a criança,
No teu colo, onde chora, em seu lamento,
És ninho de amor na árvore da esperança,

De amor eterno, mistura de tormento,
Com generosidade e entrega imensa
Como um sol divino, em firmamento.

Rui dos Santos

MÃE!

José González Collado
MÃE!

Linda flor
Puro amor
Palavra tão querida!
Canseira e calor
Alegria e dor
A melhor amiga.
Bondade e ternura,
Infinita doçura,
Essência da vida.

Joaquim Brandão

O PAPEL SORRI

José González Collado
O PAPEL SORRI

silenciosamente,
de forma quase inaudível
o lápis sussurra palavras ao papel.
e o papel sorri.

letra após letra,
o lápis acaricia
a alva folha
que de felicidade sorri.

do lápis
as ideias brotam
sobre o papel
e ambos fazem nascer
a poesia.

lápis e papel
trocam afagos com letras.
dão abraços com palavras.
são sentimentos
através das ideias
e em conjunto constroem o poema
até à palavra fim.

(…o lápis cansado
deita-se em merecido descanso…
…enquanto de alma preenchida
o papel sorri.)

Eduardo Roseira
in "O Sorriso de Deus"

NUNCA DIGAS QUE É TARDE, MEU AMOR

José González Collado

NUNCA DIGAS QUE É TARDE, MEU AMOR

Nunca digas que é tarde, meu amor
Se esta vida está aqui p’ra ser vivida,
Se o amor ilumina a nossa vida,
E a tristeza e sofrimento me dão dor.

Nunca me digas “É tarde!”, meu amor
Só é tarde quando não houver saída,
P’ro sofrimento da tua partida,
Em quem te adora e te ama com fervor.

Um dia que eu não possa ver teu rosto,
E ouvir tua voz doce e perfumada,
Ficarei com a amargura do desgosto,

De te perder p’ra sempre, minha amada.
Até lá tenho o que mais gosto,
Depois, não tendo a ti, não tenho nada.

Rui dos Santos

ACONTECE

José González Collado
ACONTECE

Não gosto de encruzilhadas;
gosto do caminho aberto…
aberto para alvoradas!
Embora esteja por perto
minha sombra anunciada.
Mas este gosto que eu tenho
é jóia n’alma gravada
em que ponho muito empenho.

Quando a sombra me envolver,
quero partir, fronte altiva,
porque esse foi meu viver.
Não tenho a alma cativa,
usei minha consciência
como um farol, o meu guia!
Vivi com sã apetência
e respeito com quem vivia.

Consciência é meu lema!
Quem não a usa em pleno,
consultando-a por sistema,
como há-de viver sereno?
Não gosto de encruzilhadas…
vem de longe esse direito!
Em meninice tinha asas,
voava à noite no leito!...

Agora, o sono é calmo;
tudo me deixa em sossego;
rememoro palmo a palmo
esse meu doce aconchego.
E nas minhas madrugadas,
sinto uma certa acalmia…
Pego na pena e palavras
e acontece poesia!

Fevereiro 2011
Maria de Lourdes Martins

VIAGEM À PRIMAVERA

José González Collado

VIAGEM À PRIMAVERA
(Passeio de camioneta em 03/03/09)

Olho através das vidraças:
Nos montes ensolarados
Avistam-se lindas noivas
Nos seus vestidos rendados
Seus róseos véus ondulados
Quase que tocam os céus
Como se fossem chamados
Pela doce voz de Deus

Outros noivas, mais além
Sobre o abismo debruçadas,
Dos seus toucados desprendem
Petalazinhas rosadas
No vale, o rio luzente
No seu curso natural
Exibe à noiva distante
Um leito nupcial
Mas elas casam com os montes
Aí seus filhos vão ter
Aí os filhos dos homens
Mais tarde os hão-de-colher

Para lá da névoa dos céus
Que o sol rasga, por momentos
É a mesma voz de Deus
Que abençoa os casamentos
Trago os olhos inundados
Desses belos horizontes
Desses vestidos rendados
Das noivas de Trás-os-Montes
Trago os olhos inundados
Inebriados de cor
Daqueles mantos rosados
De amendoeiras em flor!

Maria Augusta da Silva Neves
in "Turbilhão de Emoções"

O INVERNO DA VIDA

José González Collado
O INVERNO DA VIDA

É por dentro de mim que peregrino,
Nesta hora de angústia e de amargor!...
Pois já venho sofrendo. De menino,
Maus Invernos, de morrer e de rigor!

Deus quer que eu cumpra assim o meu destino
De Poeta e Mendigo do Amor!...
Quem nasceu para os rumos do Divino,
Terá que ser eterno sofredor!

Depois de tanto Inverno e tempestade,
Do que fui, vejo assim tombar a árvore,
Só me restando a compaixão de Deus!

Quando chegar a hora do meu fim,
Não importa se lembrem mais de mim,
- Mas não deixem morrer os versos meus!

Castro Reis
lido por Leonor Reis

VIVE MAS NÃO MORRE!

José González Collado
VIVE MAS NÃO MORRE!

Um pensamento
É poesia em movimento
Criança a crescer no tempo
O Homem do amanhã
Que se move e protesta
Matéria e Espírito
Ao encontro da felicidade
E que em indecisas alvoradas
Ama e sofre.
Vive mas não morre
Porque é Poeta!

Joaquim Brandão

BÊBADO NÃO SOU

José González Collado
BÊBADO NÃO SOU

vós?olhais para mim
dizeis-me bêbado.

não. não e não.
foi a vida que me pôs assim
mas olhai bem
pois bêbado eu não sou.
só bebo para lavar a mágoa
que vai em mim.

não. não te rias.
pois és tu.
sim, tu. Oh! Mundo.
o culpado de eu estar assim.
não bêbado eu não sou.

lavo-me por dentro
para limpar a tristeza
que vai em mim.
sim lavo-me.
com vinho cerveja enfim.
ou já viram alguém
fazer lavagens ao estômago
com sabão?
não. eu também não.
porque lavo eu o estômago assim?
é para limpar o fingimento
a que o mundo me obriga a mim.
sim fingimento.

algumas vezes sou engenheiro
outras poeta doutor
e até já fui cangalheiro.
mas seja lá o que for
bêbado não.
bêbado eu não sou.
não, não te rias de mim.
pois um dia pensa bem
e talvez acordes assim.

não bêbado eu não sou.

Eduardo Roseira
in "A Colheita Intima"

ME TEM

José González Collado
ME TEM

Vem me envolver no teu abraço
Diz-me para me deitar no teu regaço
Quando eu não conseguir
Afastar este cansaço
Vem me dar o teu beijo
E olhar-me com desejo
E com carinho me fazer dormir
Mas não quero que me venhas iludir
Quero que me ames
Que me faças sorrir
Quero que leias a minha alma
E que segures o meu corpo
Quando estiveres deitados na cama
Vem olhar os meus olhos
E fazer eu delirar
Quando me estiveres a amar
Vem limpar meus olhos
Quando eu estiver a chorar
Me tem amor
Faz-me sonhar…

Emília Costa
in "Sarrabiscos de ontem, De Hoje ou Talvez Do Amanhã"