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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

AMO AS PALAVRAS

Nunes Amaral
AMO AS PALAVRAS

Amo as palavras.
Não, não amo as palavras,
amo os símbolos.

A Lua é talvez um planeta,
mas a lua que eu amo,
nimbada de luar,
é a lua inventada,
algo de branco, puro,
inacessível,
algo para cantar
quando o silêncio, a noite, a solidão
são lágrimas de sangue que o Poeta
se recusa a chorar.

Fernanda de Castro
in “Obras Completas Poesia II”
lido por Pilar Veiga

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

1.º POEMA

Nunes Amaral
1.º POEMA

Vemos folhas caírem do espaço acima de nós
Nesta noite nevoeiro e neblina iluminada
E a chuva miudinha são lágrimas choradas
Antes do grito de revolta,

Vemos folhas do caderno poeta invadirem cidade
Sobre os telhados terraços chaminés de fábrica
E minha irmã mais pequena murmura sorrindo
Mais, conta mais, quero ouvir toda a madrugada,

É o meu estilo, digo, de caírem poemas feridos
Por dores de raiva insubordinação brado
Enquanto folhas caem persistentes nocturnas
E quase cobrem metade da avenida

Estrebucham sobre árvores, roupas a secar
E vêm depositar-se agitadas palpitantes
Neste chão preocupado, dos comerciantes
Antes desta noite fria diferente ver o fim…

Fernando Morais
in "A Cidade Ocupada pela Poesia"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

POESIA NA GALERIA, na exposição de pintura de Nunes Amaral


obra oferecido por Nunes Amaral para o sorteio entre os poetas
Dr. Agostinho Costa entrega a obra à sorteada Pilar Veiga
Fernanda Cardoso
João Pessanha declama sob o olhar de Eduardo Roseira e Fernando Morais
Fernanda Cardoso
Lourdes dos Anjos declama
Loudes dos Anjos
Lourdes dos Anjos e Constância Nery

Eduardo Roseira
Eduardo Roseira, Jorge Vieira e Fernando Morais
Maria Luísa Mendonça e Jorge Vieira
Pilar Veiga declama uma poesia de Maria Antónia Ribeiro

Fernando Morais

Kim Berlusa, Jorge Vieira e Eduardo Roseira
Maria Antónia Ribeiro

Jorge Vieira declama, à sua esquerda Eduardo Roseira, Fernando Morais, Kim Berlusa e esposa,
Cassio Mello, Luz Morais e Constância Nery
Constância Nery declama um poema de Maria Olinda Sol
Kim Berlusa

Maria Antónia Ribeiro e Eduardo Roseira
Maria Antónia Ribeiro, Pilar Veiga e Constância Nery
à direita o pintor Nunes Amaral com Luz Morais;
a pé, Cassio Melo e Jorge Vieira
Eduardo Roseira e Fernando Morais
Eduardo Roseira
Eduardo Roseira com Fernando Morais
Jorge Vieira e Constância Nery

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

TELÚRICA VERTIGEM

Nunes Amaral
TELÚRICA VERTIGEM

Mergulho, subo ao fundo da loucura,
delta negro de lábios abrasados,
onde perco os meus olhos alongados
sobre as ondas felinas de água pura:

desgrenhamos a pele e a espessura
das águas com os dedos demorados:
o frémito dos corpos adunados
transborda de alegria, transfigura:

ofegantes, à sombra das estrelas,
os poros inebriam, sentinelas
do sangue amotinado, no quentume:

telúrica vertigem desvairada:
expande-se, extasia e cresce e brada
à beira de um vulcão de lava e lume.

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

DINÂMICA DOS FLUIDOS

Nunes Amaral
DINÂMICA DOS FLUIDOS

Não vês nos meus olhos desejo,
o desejo?, nos lábios a sede
de um beijo e nos braços
a fome de abraços, não vês,
tu não vês?, não vês
que nas veias o sangue incendeia?

Semeio o delírio
com os dedos urgentes:
mordisco-te os seios, os seios
inchados: sugamo-nos
as línguas de fogo
vorazes: sublevo-te a púbis
e a boca do corpo num ritmo
agudo sem véus de pudor:
o frémito cresce: respiras mais
fundo: o vigor entumece

Rebelem-se os ventos
ou tremam as casas,
vogamos na crista
das ôndulas vivas num mar
de calor, os olhos nos olhos,
as mãos desgrenhadas,
as bocas ao rubro,
soltamos gemidos
e brados e uivos, os poros
perdidos, fundentes, em brasa

Celebramos os corpos
assim desvairados
no ápice da febre,
do ardor, da explosão das águas
frementes, do fogo maduro,
com o sol tatuado na pele da paixão
Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

sábado, 30 de outubro de 2010

FALAR DE TI

Nunes Amaral
FALAR DE TI

Como hei-de falar de ti,
Do teu olhar de veludo
E, sobretudo,
Das tuas mãos de cetim
Que ao passearam-se em mim
Pegam rastilho ao meu corpo?

Bruxuleante candeia
Que num mínimo instante
Se alumia,
E se incendeia
E se consome
Em labaredas de paixão,
Para de novo renascer!

Como é que eu hei-de fazer
P’ra poder falar de ti,
Do teu jeito aconchegante,
Do embalo dos teus braços:
Fofo ninho aliciante
Feito pelo seu cingir?

Afagos,
Carícias, abraços,
Trama urdida em doces laços
Que não quero destruir!

Como poderei falar de ti,
Do teu encanto ao sorrir,
Da tua gulosa,
Sequiosa,
Bebendo com sofreguidão?

Lábios rubros de coral,
Dentes brancos de marfim
E os teus beijos!

Oh! Doces beijos de ambrósia,
Néctar divino,
Magia
Que me apraz saborear!
Pródigos,
Quentes,
Molhados,
Dentro da alma forjados
E vindos à luz
Numa boca…
Na tua boca febril,
A escaldar!

Miguel Leitão
in Em nome das palavras