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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sessão de Poesia 17-11-12

 
 
 
 Pedro Charneca, o autor da exposição, começa a sessão de poesia
 Pedro Charneca
 Miguel Leitão
 Miguel Leitão
 Fernanda Garcias
 Fernanda Garcias
 Lourdes Martins
 Lourdes Martins
 David Cardoso
 David Cardoso
 Maria Ramajal Jorge
 Maria Ramajal Jorge
Manoel do Marco
Manoel do Marco

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O TEMPO EM QUE TOMÁVAMOS CAFÉ

 
O TEMPO EM QUE TOMÁVAMOS CAFÉ

Lá, junto à tangerineira,
Meu pai rachava lenha
Agachado, eu ficava absorvido
Com aquela destreza de
Levantar
E
Descer o machado: o corte preciso
Eu queria crescer, aprender aquela arte

Depois, meu pai encostava o machado
No tronco da pequena tangerineira
Eu levava os pauzinhos de lenha
Para a cozinha, um de cada vez: eu era pequeno
Minha avó, no velho fogão, arrumava os paus e gravetos,
Derramava um pouquinho de querosene
Um fósforo... Estava o fogo aceso!
Eu queria crescer, aprender aquela arte

Sobre a chapa, o bule. Dentro do bule, a água fervendo
Era só colocar algumas colheres de pó de café e açúcar
Depois, o café sendo coado...
A fumacinha esvaindo-se, as xícaras sobre a mesa
O bico do bule entornando o cafezinho fresco
Eu queria crescer, aprender aquela arte.

Tia Valdecira lavava a louça
E ficávamos conversando, rindo...
Meu avô, no canto, reclamava que o café estava muito doce
Lá na estrada, passavam, em seus jumentos, cavalos, burros
Outros camponeses: acenavam, davam bom-dia, boa-tarde...
Respondíamos todos a um mesmo tempo.

Ah, mas só hoje é que sinto a leveza dos pauzinhos de lenha
O sabor daquele café sem igual,
Só hoje é que vejo a fumacinha subindo da xícara
As pessoas passado na estrada e acenando,
Que ouço o crepitar dos paus e gravetos,
Aquelas velhas conversas à mesa, entre um gole e outro...
Mas hoje sou apenas um café frio na cafeteira

Ali no canto, há um banquinho imóvel e mudo
Não ouvimos mais as reclamações de meu avô
Minha tia não está mais aqui para lavar a louça
Já não há mais a velha tangerineira
Para se encostar o machado
Que também não existe mais
Nem tão pouco há mais bule e o fogão de lenha
Bebemos o café silenciosamente, calados
Esse café por mais doce, sempre amargo.
Às vezes, uma palavra ou outra
Para vomitarmos um pouco o silêncio que os engole.

E só hoje é que eu queria
Carregar os pauzinhos de lenha,
Um de cada vez.
 
Rúbio Rocha de Sousa
lido por David Cardoso

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sessão de Poesia na Galeria 20 de Outubro

 David Cardoso
 David Cardoso
 Acilda Almeida
 Acilda Almeida
 João Pessanha
 João Pessanha
 Alice Santos
 Alice Santos
 António D. Lima
 António D. Lima
 Maria Teresa Nicho
 Maria Teresa Nicho
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Eduardo Roseira
 Eduardo Roseira
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 
 Adolfo Castelbranco
 Adolfo Castelbranco
 Fernando Morais
 Fernando Morais
 Idiema
Idiema

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Eugénio e os pintores

Eugénio e os pintores
 
sei de pintores que se inquietavam por
pressentirem uma relação entre a cor e a palavra.
era nos anos sessenta em s. lázaro, quando
a luz entardecia, muita gente se afadigava no
 
lento regresso a casa, as aves recolhiam e
eles sabiam que havia alguém para falar
das águas e das luas e da sombra
das cores, dos gestos entre as hastes e os farrapos
 
do silêncio. seria à mesa do café, numa
sala cheia de livros, num vão de escada a caminho
do atelier que lhe propunham essa
revisita das fontes, das perturbadas melancolias
 
que ele havia de dizer por palavras no papel.
mostravam-lhe os trabalhos, esperando as
justas perífrases, os ritmos em que haviam de rever
a sua fome do real nas artes da pintura.
 
era o cruzar das solidões comovidas: tudo
seria reescrito, portuense, partilhado
com uma densa, irisada exactidão, lá onde
umas pétalas da música começam
 
a partir de uma cor ou de um murmúrio,
de um rosto ou de uma nuvem,
de uma explosão do sol, de uma agonia.
era nos anos sessenta, era em s. lázaro. 

Vasco Graça Moura
lido por David Cardoso

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ROMANCE DE LA LUNA, LUNA

ROMANCE DE LA LUNA, LUNA
 
La luna vino a la fragua
con su polisón de nardos.
El niño la mira mira.
El niño la está mirando.

En el aire conmovido
mueve la luna sus brazos
y enseña, lúbrica y pura,
sus senos de duro estaño.

Huye luna, luna, luna.
Si vinieran los gitanos,
harían con tu corazón
collares y anillos blancos.

Niño déjame que baile.
Cuando vengan los gitanos,
te encontrarán sobre el yunque
con los ojillos cerrados.

Huye luna, luna, luna,
que ya siento sus caballos.
Niño déjame, no pises,
mi blancor almidonado.

El jinete se acercaba
tocando el tambor del llano.
Dentro de la fragua el niño,
tiene los ojos cerrados.

Por el olivar venían,
bronce y sueño, los gitanos.
Las cabezas levantadas
y los ojos entornados.

¡Cómo canta la zumaya,
ay como canta en el árbol!
Por el cielo va la luna
con el niño de la mano.

Dentro de la fragua lloran,
dando gritos, los gitanos.
El aire la vela, vela.
el aire la está velando.


Francisco Garcia Lorca
lido por David Cardoso

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Poesia na Galeria 15 de Setembro

 Silvino Figueiredo e Luís Pedro Viana
 Agostinho Costa dá inicio à Sessão de Poesia 
 Luís Pedro Viana
 Luís Pedro Viana
  José Oliveira Ribeiro
  José Oliveira Ribeiro
António Cardoso
 António Cardoso
 Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 David Cardoso
 David Cardoso
 Idiema
 
Idiema
Ilda Regalado
Ilda Regalado