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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Um poema

Rosa Elvira Caamaño

Um poema


eu escrevi um poema
para mulher que eu nem sei quem é
e nem ela sabe quem eu sou

eu escrevi um poema
para uma mulher triste
rosto marcado por rugas precoces

eu escrevi um poema
para uma mulher que eu nem sei quem é
sei apenas que é triste
e tem o rosto marcado por rugas precoces

eu escrevi um poema
para uma mulher que nem sei quem é
e nem ela sabe quem eu sou
mas é uma mulher triste
rugas precoces no rosto
e uma criança nos braços
a sugar-lhe o seio murcho

eu escrevi um poema triste
para uma mulher triste
que estava sentada num degrau da escadaria
da catedral da sé de são Paulo
com uma criança nos braços
a sugar-lhe o seio murcho

eu escrevi um poema triste
que não vai mudar a vida dessa mulher triste
sentada num degrau da escadaria
da catedral da sé de são Paulo
e nem da criança que ela tem nos braços
a sugar-lhe o seio murcho

a mulher triste nunca vai saber quem eu sou
nunca tomará conhecimento
do meu poema triste
uma mulher triste como tantas mulheres tristes
que habitam o lado mais triste do país

eu escrevi um poema triste
para uma mulher triste
que nem sabe o que é um poema

Júlio Saraiva (S. Paulo/Brasil)
dito por Jorge Sousa Braga

Os Amantes

Porfírio Alves Pires
Os Amantes


Desde que Magritte pintou os amantes, estes como por magia deixaram de ter rosto. Nos jardins, nos cinemas, no bulício das ruas é frequente ver agora homens e mulheres sem rosto, abraçados.

Todavia, tudo não passa de um equívoco. Sem dinheiro para pagar aos modelos, Magritte optou por cobrir com um lençol o rosto inacabado dos amantes.

Jorge Sousa Braga

sábado, 9 de outubro de 2010

Amor à Portuguesa

Sandra Honors

Amor à Portuguesa
(Liubóv’ po-portugál’ski)

A noite, como uma chaga, inundou-se de luz.
As estrelas olham com olhos de prisão,
e nós ali sob a ponte Salazar
à sua sombra negra como breu.

O ditador prestou-nos um serviço,
e como ele não está ali connosco,
emigramos com os lábios de visita
desta terra desditosa.
Sob a ponte de betão e medo,
e com um nome tão autoritário,
os nossos lábios eram dois países
onde nós os dois éramos livres.
Eu roubo, eu roubo a liberdade
e basta um só momento de roubada
para eu ser feliz,
sem censura a minha língua pecadora.

Mas no mundo, onde mandam os fascistas,
onde os direitos de todos são pequenos,
ficam umas pestanas compridas,
e debaixo delas um mundo diferente.

Mas, vestindo a gabardina fina,
mostrando-me o anel no dedo,
uma portuguezinha diz: porque choras?
Eu não choro. Já chorei tudo.

Dá-me os teus lábios. Aperta-me e não penses.
Eu e tu, minha querida, somos fracos
debaixo desta ponte, como de um cenho duro
duas lágrimas que o mundo não vê…

Yeugeny Yevtushenko (Rússia)
dito por Jorge Sousa Braga

EXPOSIÇÃO DE PINTURA DO GRUPO INTERNACIONAL SERVIU DE PANO DE FUNDO À EDIÇÃO DE 2 DE NOVEMBRO DA "POESIA NA GALERIA"




Jorge Vieira
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Artur Santos 
Artur Santos


Artur Santos
Artur Santos
Artur Santos
Miguel Leitão
Miguel Leitão
 Miguel Leitão
Miguel Leitão
Miguel Leitão
Miguel Leitão 
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos



Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta da Silva Neves
Domingos da Mota
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Constância Nery
Constância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Miguel Leitão
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves
Carlos Andrade
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves