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quarta-feira, 25 de julho de 2012

GRITO

GRITO 

eu quero poder gritar
gritar sempre gritar alto
eu quero gritar um grito 

grito forte grito agudo grito longo grito ardente 

poder gritar eu quero
e ouvir o eco do meu grito em ti
eu quero gritar um grito 

grito-amor grito-vida grito-sangue grito-alma 

eu quero dizer-te em grito estas entranhas
que não vês e que não ouves
que o meu grito é invisível e mudo
mas aquece e queima e funde
eu quero gritar um grito 

grito-fogo grito-chama grito-luz grito-silêncio 

se puder gritar bem alto
e tu escutares o meu grito
eu viverei a vida inteira nesse instante
eu serei feliz 

eu quero gritar-te o grito

grito forte grito agudo grito longo grito ardente
grito-amor grito-vida grito-sangue grito-alma
grito-fogo grito-chama grito-luz 

que o meu silêncio seja o grito


in “Vento na Alma”
Miguel Leitão 

Declamado por Irene Lamolinairie

sexta-feira, 30 de março de 2012

O COMBOIO DA VIDA…


O COMBOIO DA VIDA…

Pára, avança,
Pára, avança,
Sem sossego, sem parança,
Desenfreada é a dança,
Deste ir, deste voltar…
Pára, avança,
Pára, avança,
E pára, mas sem tardança,
Torna a vir, pra não ficar…

É o comboio da Vida,
A iniciar a corrida,
(Que sem princípio e sem Fim)
Sempre tem o “Seu Começo”
E em jeito de arremesso
Começando diz assim:

- Pára, avança,
Pára, avança,
Sem sossego, sem parança,
Desenfreada é a dança,
Deste ir, deste voltar…
Pára, avança,
Pára, avança,
E pára, mas sem tardança,
Torna a vir, pra não ficar!…

Surge a primeira Estação
Tem Primavera-Verão
Que na Vida quer dizer.
- da Infância à Puberdade –
É um Tempo sem idade
Que a verdade quer saber!

Pára, avança, pára, avança,
Sem sossego, sem parança,
Desenfreada é a dança,
Deste ir, deste voltar!…
Pára, avança, pára, avança,
E pára, mas sem tardança,
Torna a vir, pra não ficar…

E vem a Estação Segunda
A hora em que a Seiva inunda
O Homem e a Mulher;
Esta Segunda-Estação
É tempo de Afirmação,
É tempo certo de Querer!...

Pára, avança,
Pára, avança,
Sem sossego,
Sem parança,
Desenfreada é a dança,
Deste ir,
Deste voltar…
Vai e volta,

Pára,
Avança,
E pára,
Mas sem tardança,
Torna a vir,
Pra não ficar!…

E chega a ‘stação Terceira
Que por ser a Derradeira
Traz Tempo pra Descansar…
Prós cabelos, traz a Neve,
E faz nosso tempo breve
Com muito tempo pr’Amar!...

Pára, avança;
Pára, avança;
E o Comboio é só tardança,
Volta a vir, pra lá ficar!…
 

Maria Mamede
in “Pelas letras do alfabeto”
lido por Irene Lamolinairie

terça-feira, 27 de março de 2012

INTRÓITO

INTRÓITO

Das tuas mãos de vidro, carregadas
De jóias tilintantes e doentes,
Das palavras que trazem afogadas,
Das coisas que não dizes mas entendes.

Do teu olhar virado às madrugadas
De fantásticos e exóticos orientes,
Do teu andar de tule, das estocadas
Dos gestos que não fazes mas que sentes.

Dos teus dedos sinistros, de tão brancos,
Dos teus cabelos lisos, de tão brandos,
Dos teus lábios azuis, de tanta cor,

É que me vem a fúria de bater-te,
É que me vem a raiva de morder-te,
Meu amor! Meu amor! Meu amor!
 

José Carlos
lido por Irene Lamolinairie

quinta-feira, 22 de março de 2012

Poesia na Galeria

 Maria de Lourdes Martins
Maria de Lourdes Martins
 Luís Pedro Viana
 Luís Pedro Viana
Manoel do Marco
 Manoel do Marco

 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Ana Maria
Ana Maria
 Alice Macedo Campos
 Alice Macedo Campos
Cristina Maya Caetano
 
Cristina Maya Caetano
 Virgílio Liquito
 Virgílio Liquito
 César Carvalho
César Carvalho
 Eduardo Roseira
Eduardo Roseira
Eduardo Roseira
 Ana Pamplona
 Emília Costa
 Emília Costa

 Irene Costa
Irene Costa
 Fernanda das Neves entrega a obra de sua autoria ao sorteado da Sessão,
Eduardo Roseira

quinta-feira, 21 de julho de 2011

AZUL

AZUL

A luz, se formos luz. A sombra
se formos sombra: os olhos, sombra;
o coração, sombra; a própria luz
do pensamento, exílio e sombra.

Na infância (pois fomos
jovens um dia) atrás dos reposteiros
o invisível vigiava
o nosso sono desperto.

Agora que acordámos
do amarelo e do azul
e do branco e do azul
e do coração e do azul,

como regressaremos
a este mundo?
(O azul não é deste mundo,
nem os olhos são destes mundo)

À nossa porta batem
inúteis as lembranças: sombras.
Cegámos. Os amigos (sombras)
morreram de doenças de velhos,

o enfarte, a solidão, ou só
de morte, e nem
uma réstia de azul iluminou
o seu último olhar.

Se ao menos tivéssemos
envelhecido sem motivo, sem tempo,
desaparecido para dentro
lucidamente, como uma coisa desprendendo-se.
                
                      Manuel António Pina
                      “ Poesia, saudade da Prosa”
                           antologia pessoal
                   Lido por Irene Lamolinairie

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A BOCA E OS OUVIDOS

A BOCA E OS OUVIDOS

As palavras depõem
contra o coração,
que não quer dizer nada
nem ouvir nada.

As suas mãos alheias
tocam balbuciando
o meu coração.
Como se lhes negará o meu coração?

A baba do sentido
devassa a minha boca
com sórdidos ouvidos.
Como me calarei? Sem que palavras?

Oh, apenas um instante de silêncio,
uma palavra de
harmonia e solidão,
de morte e de indistinção!

            Manuel António Pina
            in “ Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança”
            Lido por Irene Lamolinairie

POESIA 20 JULHO 2011

 Maria de Fátima
 Maria de Fátima

 Maria Teresa Martins Risco
Maria Teresa Martins Risco
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 Maria Teresa Martins Risco 
 João Pessanha
João Pessanha
Manoel do Marco
Manoel do Marco
 Manoel do Marco
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
 Irene Lamolinairie
Irene Lamolinairie
Kim Berlusa a ler um poema seu em homenagem a Manuel António Pina
 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
Kim Berlusa
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
Ana Pamplona