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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

FOTOPSICOGRAFIA


FOTOPSICOGRAFIA

Porque as rectas são curvas no infinito
ou talvez até sejam espirais
(no retrato que faço não me fito
pois navego num barco preso ao cais),

porque não dou o dito por não dito
e até digo de menos por demais
e avivento a razão, se contradito
por cenhos carregados e formais,

se perante o passar de cada dia
sinto o chão a correr mais do que as pernas
(vejo corpos sedentos de alegria
com tratos de polé, de traquibérnias):

não sei se o defeito é do fotógrafo
ou da tinta apagada do autógrafo

Domingos da Mota
in "Bolsa de Valores e Outros Poemas"

terça-feira, 28 de junho de 2011

CANTOCHÃO



CANTOCHÃO
a partir de um verso de  Marina Tsvetáieva

Livrai-nos senhor
da pedra no sapato
da espinha na garganta
da dor de dentes
e daqueles que ora mordem

como ratos ora afiam
as línguas de serpentes
: daqueles que te rezam
orações e debitam
prosápias de sandeus

: livrai-nos senhor
de tais bravatas pois
todos os poetas são judeus
: livrai-nos senhor
das pesporrências

tanto verbo-de-encher
tanto sermão: livrai-nos
das pardas eminências
: perdoai senhor
o cantochão.
      
Domingos da Mota

sábado, 25 de junho de 2011

Poesia, 18-06-1011

 Kim Berlusa
 Manoel do Marco

Eduardo Roseira, Manoel do Marco, Maria de Lourdes Martins
 Teresa Gonçalves
Teresa Gonçalves
Fernando Morais

 Fernando Morais
 Fernando Morais
 Alzira Santos
 Alzira Santos
Domingos da Mota
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
Maria de Lourdes Martins

CAFÉ DO MOLHE


CAFÉ DO MOLHE

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

Manuel António Pina
in “Poesia, Saudade da Prosa” – uma antologia pessoal
lido por Domingos da Mota

terça-feira, 21 de junho de 2011

18 de Junho 2011



 Domingos da Mota
 Eduardo Roseira
 Eduardo Roseira
 Eduardo Roseira



 Emília Costa
 Emília Costa
 Kim Berlusa
Kim Berlusa

POESIA NA GALERIA, 18 Junho 2011

 Manoel do Marco, Domingos da Mota, Kim Berlusa e esposa


 Fernando Morais e Domingos da Mota
Antonieta Silva, Teresa Gonçalves

 Kim Berlusa

 Kim Berlusa
 José Nuno e Eduardo Roseira




quarta-feira, 15 de junho de 2011

ELEGIA EM DÓ MENOR

ELEGIA EM DÓ MENOR

Não procuro dos outros o que tenho,
mas ainda procuro o que me falta
e se sei onde estou e donde venho
(morri no hospital e deram-me alta),

não irei carregar mais o sobrolho,
pôr no prego um verso já maduro
 e gastar tanta cera com o olho
que acenda um pavio no escuro

Não minto se disser que além do fogo
são as cinzas que ferram as canelas
e quando os sentir no corpo todo
serei filho do pó e das estrelas

E apesar de escutar os violinos
não darei mais badalos para os sinos

Domingos da Mota
in Bolsa de Valores e Outros Poemas

sábado, 23 de abril de 2011

19 de MARÇO

Lourdes dos Anjos
Constância Nery

Domingos da Mota e Miguel Leitão
Eduardo Roseira
Eduardo Roseira e Constância Nery






João Pessanha