sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PANTEÍSMO


PANTEÍSMO

Eu não sei rezar com frases feitas
Há quase dois mil anos.
            Nada me dizem, não.
E, se as rezo, sou como um papagaio,
Ou como um mau aluno,
Que, com frases imperfeitas,
Vai papagueando – mal… - uma lição.

Logo que, pela manhã,
Ouço tocar o sino meu vizinho,
Começo:
            … Avé Maria…
Mas enquanto a boca, numa litania,
Vai dizendo a oração que outros fizeram,
O pensamento corre. É coisa vã
Tentar pará-lo à força… ou de mansinho.
            Lá vai ele correndo, terra a terra!
E eu sabendo que a minha alma erra,
Nada mais posso, senão baixar os braços.
Dando-me por vencida,
            Pouso a cruz…
            E vou à minha vida.

O meu Deus não pode ser só meu,
Do meu País ou da minha cidade.
O Deus que para mim é Eternidade,
- Que, no nada que sou, é o meu EU –
Esse Deus que em tudo quanto vejo está,
É javé, é o Deus de Roma, é Allah…

E Cristo,
O doce Cristo da minha juventude
- O Cristo do Natal –
Para que O sinta em toda a plenitude,
Para lhe poder rezar,
Tenho que olhar os campos, as montanhas,
Os ribeiros, os rios e o mar.
E só olhando toda a Natureza,
Tudo o que há no Mundo para ver,
Entra em mim a certeza
De que há um Ser
Que à Sua imagem nos criou,
Chame-se Ele Deus, Allah, … Javé
- Ou outro nome que Lhe queiram dar –
Que para mim é…
E para O amar,
Não importa o nome que lhe dou.
Mas se o meu cansaço serve de oração
Este trabalho que deu aspereza à minha mão…
E se rezar é a tudo ter amor,
Se é ver Deus em tudo quanto prezo…
            Se é assim, Senhor,
            … Então eu rezo

Esmeralda Tavares de Carvalho
lido por Alzira Santos

EU AMO-TE


EU AMO-TE

Deixaste-me sem dizeres um adeus,
sem te despedires sequer.
Eu amava-te e tu
disseste-me que me amavas quinze dias antes de partires:
que me amavas muito.
Ainda guardo essa mensagem.

Agora quando te encontro
em fotografias antigas,
nos meus sonhos,
no sabor amargo das lágrimas,
nos meus pensamentos,
(Ah… vejo-te tantas vezes nos meus pensamentos)
ainda choro.

Precisei de ti e do teu riso
mas às vezes acho que nunca te conheci.
Tenho tantas saudades tuas

O meu amor por ti é triste mas eterno.

Sabes, pai? O dia mais triste da minha vida
foi o dia que me deixaste, foi o dia da tua morte.

                  Ana Pamplona

CONVITE ESPECIAL



CONVITE ESPECIAL

Anda, vem comigo Jesus
Não te quero nessa cruz
Vem comigo brincar
Correr atrás do meu cão
Jogar a bola, o pião
Aprender uma canção
Ou apenas, descansar
Vem comigo. Anda Jesus!
Não querem que sejas menino?
Roubaram-te a esperança?
Não te deixam ser criança?
Vem comigo, anda lá!
Não te quero nessa cruz
Vamos acordar o Sol
E adormecer o Vento
Depois, talvez ainda nos sobre tempo
Para acabarmos com a Fome e a Guerra
Só então será bom viver na Terra
Vem comigo, anda Jesus
Vamos juntar Maria e José
Vai ser outra vez bebé
Será Natal hoje e sempre
E Nós, Jesus
Seremos felizes finalmente
                                           in “Poetas de sempre”
Antologia Vol. X
       Lido por Lourdes dos Anjos

AI, A NEVE É TÃO CHIQUE!


AI, A NEVE É TÃO CHIQUE!

“Serra da Estrela!”
disse o Pai Natal
“Aspen!”
disse o Diabo
“Val d’Isére!”
disse o Menino Jesus
“Cortina D’Ampezzo!”
disse Deus

Welcome to Sierra Nevada
terra de nuestros hermanos
neve barata para aquecer a alma
pinheiros de Natal e ponche quentinho

O Diabo portou-se mal no avião
encheu o corredor todo de pipocas
deu vivas a Bin Laden em voz alta
e apalpou o traseiro à hospedeira

À chegada foram todos equipar-se
gastaram um dinheirão só em esquis
a estância é para tias bem burguesas
gajos com muito cacau para torrar

Na noite de Natal lá no hotel
o Pai Natal adormeceu de boca aberta
o gorro às três pancadas, pendurado
as botas a brilhar junto à lareira

O Diabo embebedou-se com bagaço
pôs-se a escrever poemas escabrosos
e a discutir com Deus, aos berros
as razões do Boavista ter sido campeão

A noite acabou com artes Plásticas
toda a gente a desenhar com marcadores
corações, dedicatórias ternurentas
na perna engessada do Menino Jesus

Ai, é tão chique um Natal na neve!

Luís Graça
in “Florilégio de Natal – 2001”
lido por Eduardo Roseira

O ÉBRIO ZANGADO


O ÉBRIO ZANGADO

Dizia o ébrio na Sé:
um pipinho é um pipinho…
mas ele só vale até
estar cheiinho de vinho!
Estou aqui olhando o pipo
e de lá não sai mais nada…
Que raio de dona é esta
que me diz logo à chegada:

“Hoje não vai haver festa!”
Senhora, eu sou um freguês;
veja o respeito que me presta!
Se eu fosse algum francês
decerto dava-me um fino!
E eu garanto, com respeito,
que até lhe fazia o pino,
mesmo com o braço ao peito!

Tasca de pipo vazia?
Não é tasca nem é nada!
Vou enfrentar este frio
sem beber uma litrada?
Olhe, não lhe quero fazer mal,
mas com o frio que vai…
e isto aqui é Portugal,
vou fazer queixa à ASAE!.

Maria de Lourdes Martins
Novembro 2011

IMAGINAÇÃO


IMAGINAÇÃO

O tema da poesia está aí!
O mundo,
a terra,
e as coisas belas que encerra:
o fulgor da aurora,
a luz do dia,
a paisagem e as situações,
os acontecimentos,
a humanidade e as afeições;
o luar, as flores,
as crianças
e a ternura,
a mocidade e seus amores,
suas esperanças;
a força da vida,
a natureza
e o mais por que perpasse
um ténue fio de beleza.

Também está aí
o meio de a escrever!
As palavras,
tantas e linhas,
anteriores ao poeta
e ao poema
que este deseja fazer.

Não são suas
as palavras.

São de todos,
são do povo
e da língua que o define
e lhe confere identidade.

O problema é escolher,
apanhar
as que são certas
para dizer o que se quer
e empregar
as que se ligam
e a musicalidade surgir!

O que aí não está
é a imaginação!

E só acontece poesia
se o seu sopro der no mundo
e o mudar,
e numa reviravolta tamanha
se introduzir nas palavras
e as remexer,
as trocar,
e as preencher,
ou insuflar
com aquele outro sentido
que vem lá do fundo,
da alma,
e não das coisas do mundo.

Só acontece poesia,
se a imaginação transfigurar o que aí está,
sublimar o real,
e este perca o aspeto rude,
natural,
e se torne mais humano,
caloroso,
espiritual.

É precisa a imaginação
e as asas com que voa
para transportar o poeta
e os que leem o que ele escreve,
e os elevar
àquele reino em que todos se reconhecem,
se estimam,
se adoram
e fruem o convívio dos Deuses!

in “o tempo e as coisas”
                        Miguel Leitão

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O TEMPO E A MATÉRIA


O TEMPO E A MATÉRIA

Desperdício de tempo e matéria
Transformação, Laboração, dinheiro.
Ruído, máquinas austeras
Imagens de valores contáveis.

Números, Homens, mulheres.
Gramática da vida… Trabalho.
Luz energia reconvertida
Em movimento vai-vem.

Cubos, carros – Compro/Vendo
E junto a tudo isto alegria
Mais que valores: bens.

Fábrica, papéis, escritório, máquinas
Documentos do deve e haver
Outro sentido de morrer
Outros parâmetros…

Não faças mal bem querer
Quadro, eléctrico, azul,
Rama, derrama, perder
Ama a chama quente
Eterno é não te ver.

Perafita, 1992
Luís Pedro Viana

MESA VAZIA


MESA VAZIA

Deram uma mesa à poesia,
ofereceram-lhe boa comida
e, imaginem, bolos!... e até café!

Era suposto a poesia sentir alegria
com tão boa receção,
mas não!

Quando os sons da poesia,
começaram no ar a bailar,
eram sons em palavras de tristeza,
porque, a poesia sentia
que naquele dia,
em muita mesa, vazia,
faltava pão!

No final,
a poesia ficou triste com a ovação!

Bater palmas à tristeza e à falta de
pão?
Não.

Melhor seria silenciosa reflexão.

……..xxxxxxx…………
Silvino Figueiredo
(o Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque)

S/ Título


S/ Título

Também tu, terás tempo
para um murmúrio
quando despires a repousada voz
da memória.

Também tu, terás tempo
para a bipolaridade silábica
quando um clarão for
para ti, o habitáculo
que rebuscas.

Também tu, terás tempo
para a sombra repentina
que há-de cristalizar
a viagem pelo perfil
do teu ego, sem a
essência da contradição.

Também tu, terás tempo
para ser o pigmento
vulcânico que acaba
por cintilar nas têmporas
do assombro!

Kim Berlusa
2006

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

VOTO DE NATAL

VOTO DE NATAL

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
Ó calor destas mãos nos meus dedos tão frios!
Acende-se de novo Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

David Mourão-Ferreira (1960)
lido por Alzira Santos

A PEDRA

A PEDRA

a pedra para lá de ser a casa
é a nossa insurreição de dor do frio
o cão de guarda que não guarda nada
é um cão de pedra ali mesmo à entrada.

mais clara em Lisboa, é no Porto que é dura
na escama da sua pele bailam os cinzéis
e então é vê-la donairosa e segura
quando feita capela a receba os fiéis.

a cornija, o arco e as volutas
algumas tão antigas, enrugadas, musgáveis
são páginas da História, pergaminhos do Tempo
escadarias sem fim e varandas ao vento.

Fernando Morais

DESTINO


DESTINO

Destino, conta-me estória
com que eu possa me entreter,
apaga-me da memória
esta que eu ando a viver!
Ai destino, de mim não gostas.
és mais triste do que alegre…
Carrego-te às minhas costas
a ti moldada e entregue.

E como nunca perguntaste
se eu queria a companhia,
o meu espaço ocupaste
fizeste-o à revelia!
Sei que não darei um passo
sem tua sombra levar!
Por mais exíguo o espaço,
vais comigo a ombrear!

Quisera que o meu destino
não me andasse a espreitar…
Todos temos um abismo
onde vamos mergulhar!
Se queres ser bom companheiro,
não queiras ter primazia…
pois quem eu amo em primeiro
é a doce poesia.

               Maria de Lourdes Martins

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A FAMÍLIA

A FAMÍLIA

Vamos à pesca
- disse o pai
para os três filhos –
vamos à pesca do esturjão.
Nada melhor do que pescar
para conservar
a união familiar.
A mãe deu-lhe razão
e preparou
sem mais detença
um bom farnel:
sopa de couves com feijão
para ir também
à pescaria do esturjão.
E a mãe e o pai
e os três filhos
foram à pesca
do esturjão,
todos atentos,
satisfeitíssimos.
Que bom pescar
o esturjão!
Que bom comer
o belo farnel,
sopa de couves com feijão!
E foi então
que apanharam
um magnífico esturjão
que logo quiseram
ali fritar;
mas enganaram-se na fritada
e zás! fritaram o velho pai
apetitoso
muito melhor
mais saboroso
do que o esturjão.

Vamos para casa –
disse o esturjão.

Mário Henrique
  Lido por Ana Pamplona

EU NÃO SABIA AO CERTO

EU NÃO SABIA AO CERTO

Minha mãe, toda a noite me fizeste
companhia nos sonhos que sonhei;
durante a noite inteira tu vieste
visitar-me e falaste e eu falei.

Já me não lembro do que me disseste
e não me lembro do que te contei.
Havia qualquer coisa de celeste
no teu modo e na voz que eu escutei.

E, quando de manhã eu escrevi
os sonhos que sonhei e que vivi,
apertou-se a garganta na emotiva

sensação de que ainda estavas perto.
Juro-te, mãe, que eu não sabia ao certo
se fora um sonho ou tu estavas viva.
                      Armando Pinheiro (Porto, 1922)
 in “ A mãe na Poesia Portuguesa” uma antologia de Alberto Martins
                 Lido por Lourdes dos Anjos

CORAGEM

CORAGEM

desistir apetece-me
desistir.
fugir.
e sair correndo, esmagando prados azuis
e ervas distantes. silenciosas como a dor
para que a dor não se ouça. mesmo que se veja
a besta,
as garras do destino supostamente escondido.
sigo o prado ferido
com um olhar de desprezo que desprezo
e esqueço que te lembro: da morte
e do leito
resiste um cérebro desfeito; desta morte,
que espaço reservar no meu peito?
que estalido, que membro (não me lembro)
avançou primeiro? que pedaço de carinho
ousou (também não me lembro) sair ao caminho?
que montes te viram sorrir o último, supremo sorriso?
que olhar cravaste na mais próxima árvore? para mim…

desistir, apetece-me, e desistir sempre.
e voltar a desistir, depois.
até que a desistência seja um regresso
e voltes a gritar: - ei! estou aqui!

grita uma guitarra que conheço de lado algum,
não se ouve um choro que conheço de toda a parte.
não queria ser eu a dizer: - lamento.
preferia dizer: desisto. também.

o meu Pessoa, o meu querido Pessoa disse-me:
- se te queres matar, porque não te queres matar?!...
foda-se! Fernando, o meu melhor amigo suicidou-se!
que lhe digo? que foi mais corajoso que tu, que eu, que nós?!

anda daí, Fernando,
eu estou no bar.
ali.
longe.

os outros,
os outros que me desculpem.
ou outra coisa qualquer parecida com isso.

Luís Nogueira
lido por Eduardo Roseira

MÃE

MÃE

Eu olho os teus cansados, Mãe!
E vejo que sob as pálpebras descerradas
Há ternuras que inundam em torrentes
Por onde brotavam as lágrimas derramadas…

E eu sempre te ouço, Mãe!
Os teus prantos são alegrias que em molhos
Afluem ao teu rosto apaziguado
E trazem à minha alma a paz e a harmonia
Que eu nem sempre encontro no mundo conturbado.

Sabes mãe!
Tu trouxeste calmamente à minha vida
O rumor dos doces perfumes matinais
Tu cortaste o azul dos amplos espaços
Tu bordaste com o aroma do jasmim
Os dias que podiam ser enevoados.

Eu já cresci, Mãe!
Mas tu ainda suavizas com bálsamo a minha vida
Tu ainda me recolhes calmamente no teu colo
Tu ainda me dizes palavras de encantar.

Eu sei!
O teu sorriso é imenso
E eu já abri com dureza as minhas asas para o mundo
Mas tu ainda não entregaste o pássaro à fantasia!
E o mundo tem tanto espaço para voar, Mãe!

E sei que eu ainda sou a criança
Que sempre adormeceste nos teus braços!
                                 
Acilda Almeida
lido por Inês Almeida

domingo, 18 de dezembro de 2011

Armando Paraty

João Pessanha

Luís Pedro Viana

Sofia Santos

Acilda

SILVINO FIGUEIREDO (O Figas)

Ana Pamplona

Manoel do Marco

Celestina Silva

Maria de Lourdes Martins

Kim Berlusa

Virgílio Liquito

Alzira Santos

Fernando Morais

Eduardo Roseira

Lourdes dos Anjos

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

TROVÕES E RELÂMPAGOS


TROVÕES E RELÂMPAGOS

Hoje,
de manhã,
ainda não trovejou,
mas espera-se trovões,
talvez pela tarde
ou até mesmo à noite.
Trovejar é bom para abanar,
relampejar é bom para alumiar,
tudo é explicado pela ciência,
mas,
o que está por inventar
é o trovejar para abanar,
relampejar para alumiar
a humana consciência,
que continua muita negra
e precisa de ser abanada e alumiada!
......................xxxxxxxx................... .....
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(figas de saint pierre de lá-buraque)
Gondomar

abrem-se as pétalas de cor bela e alegre


abrem-se as pétalas de cor bela e alegre
ao sorrir do sol
seu amante natural em tempo ardente,
rasteirinho é terna frescura nos jardins,
como flor, seu nome contém tristeza.

ao ver o sol afastar-se no poente
fecha-se silencioso prostrado no chão,
adormece a flor na noite
acorda de manhã chorão.
Teresa Gonçalves
in "Pleno Verbo"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

QUAL SERÁ A COR DA MINHA ALMA?


QUAL SERÁ A COR DA MINHA ALMA?
QUAL A COR QUE ANDARÀ
DISPERSA
EM MIM?


QUE CORES TERÃO
A MINHA IRA E A MINHA CALMA?
QUE COR IRÀ COBRIR O DIA
DO MEU FIM?
NÃO SEI QUE CORES
IRÃO COBRIR OS MEUS ANSEIOS
NEM QUAIS AS CORES
DOS MEUS SONHOS E DOS MEUS
PROPIOS DEVANEIOS.
DE QUE COR SERÁ
A MINHA UTOPIA?
QUE COR ME ENVOLVE
HOJE NESTE DIA?
E SE O NÃO SABER
DAS CORES ME DEIXA ENCURRALADO
NUM PARADIGMA
EU CONTINUO ETERNAMENTE
MISTURADO NA MISTERIOSA
COR DE TODO ESTE ENIGMA.

KIM BERLUSA..

O GRITO DA VICTÓRIA.

I Convenção Internacional de Gestão do Desporto
Faculdade de Desporto Universidade do Porto
Leitura de Luís Pedro Viana do escrito poético para este evento.

O GRITO DA VICTÓRIA.

O grito da vitória
Explode de braços abertos
No limite da meta como linha.
A alegria incontida do trabalho;
É produto acabado
No resumo do fascínio da superação;
Contém alma e também coração.
O desporto como glória
É um veículo da casualidade e,
Na exaltação, se perde a nobre arte da dimensão humana.
Nas diferentes modalidades
Encontras TU lugar
Na longa atitude ideal
Do espírito grego da Olimpíada.
O homem na cultura física
Toma a dimensão do divino
“ no desejo de dar forma”
À exclusiva arte do ser intelectual.
O símbolo antigo do atleta coroado
Aparece na poesia de Homero
Onde a felicidade real
Quer a arte glorificar com os símbolos das vitórias.
“Entre as espalhadas e inúmeras palestras”
Se constrói e desenvolve, na poeirenta
História, um mundo desportivo
Para dimensionar o baloiço da humanidade.
-Nós como passageiros desta aventura
Aceitamos a dor do esforço
Para chegarmos, por processo natural,
À convivência universal.
Os seres que, como eu, se extasiam
Na efémera visão duma luz
Subjugam-se para alcançar a eternidade.
Viva este intenso sacrifício para a paz,
A que o homem se dedica,
Para atingir a total modernidade.

Luís Pedro Viana
Porto 20 de Maio de 2011