Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Gomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Gomes. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de março de 2011

CANTAR PORTUGAL

Fernando Gomes
CANTAR PORTUGAL

Te canto, meu verde Minho
Com encantos naturais
Esse Gerês, pergaminho
Rei de vários festivais.

Trás-os-Montes e Alto Douro
Região de belos vinhos,
Os rabelos eram ouro
Na rota desses caminhos.

Vem o Douro Litoral,
Lindas cidades mais Porto,
Rio, mar, tão natural,
Belo clima, conforto.

Coimbra, bela cidade,
Penedo da Saudade, e Mondego,
Teus monumentos, verdade,
Tuas lembranças eu levo.

Lisboa sempre airosa,
Capital de Portugal,
Tens o perfume da rosa,
Tudo em ti é genial.

Setúbal, Faro, Portimão,
São oásis a conservar,
Madeira, Açores, a solução.
Cantar Portugal, todos vamos cantar.

João Pessanha
06/08/2010

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

RIO DOURO

Fernando Gomes
RIO DOURO

Da nascente até à Foz
Seu percurso infindável,
Paisagístico para todos nós
Com um mistério insondável.

Tens um toque nordestino,
Tuas margens são riqueza.
Douro, esplendor do Porto Fino
Nas vindimas da nobreza.

Internacional até Barca s’Alva,
Português até ao Porto,
Rabelos na manhã alva
Chegam à Foz ao sol-posto.

Tuas barragens dão vida
São o pão de cada dia
Energia consumida
Os peixes, a iguaria.

Trás-os-Montes e Alto Douro
Roteiros de obrigação,
Meu rio, teu leito é ouro
Para toda a região.

Poetas, músicos, cantores
Vos relembram com saudade.
Meu Douro de mil sabores
Rio, minha liberdade.

João Pessanha
20/11/09

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

MEU PORTO

Fernando Gomes
MEU PORTO

Meu Porto, és o cordão umbilical,
Bem preso à raiz do meu ser;
És a minha linda cidade, a capital,
Aqui existo, aqui quero viver!

Mesmo que a neblina ainda percorra
Os limites deste infinito,
Que haja alguém a nascer ou que morra,
Serás o meu brasão e o meu grito.

Meu Porto, tens o velho casario
Coberto de dores adormecidas
E na foz desse teu lindo rio
Há lágrimas e dores já ressequidas.

Prisioneiro deste tempo que avança,
Trago em mim as franjas da cultura,
A fé intensa e no peito a esperança
Do raiar do sol à noite escura.

Jorge Vieira
in “Manhãs Inquietas”
lido por Pilar Veiga

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

NÃO TEM MAIS AZUL

Fernando Gomes
NÃO TEM MAIS AZUL

Meu azul, meu azul no céu de Gaia
meu azul da rua pequenina
onde estás com o cheiro de milho verde
e o suspiro da fonte que molhava a sede?

Meu azul, meu azul que só ó azul
misturado no branco da nuvem que passa
e o melro escondido a cantar de graça
e a bola de pano a entrar na baliza…

O miúdo que fui não tem mais azul
p’ra correr na rua, pinchar nos quintais
subir às árvores com sameiras nos bolsos
e risos e riscos sobre velhos taipais.

Meu azul antigo desse tempo antigo
por onde subia aquele sol amigo
que tornava as tardes de cor de hortelã
quando o vento bulia nos seis da manhã…

Meu azul de Gaia de branco polida
quando frente ao espelho estava dona Cinda
a tocar sorrindo numa escura ferida
que tinha mesmo por baixo do vestido…

Fernando Morais
in "Voltar a Gaia"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

TERRA DE GAIA

Fernando Gomes
TERRA DE GAIA

Como esquecer-te o solo fértil
grávido,
o instante em que as plantas
se levantam da cama
e no primeiro raio de Sol
apercebem o grito do pássaro acordado?

Como esquecer-te as ruelas
dos lugarejos pintalgados de erva e de musgo
que veste de cor florida os olhos de quem passa?

Como esquecer-te os sons de chocalhos
quando terminam subitamente as casas
e nos encontramos no meio da palha calcada
do chão dos bovinos?

Fernando Morais
in "Voltar a Gaia"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PORTO

Fernando Gomes
PORTO

O Porto das varandas feitas rendas,
O Porto das janelas d’encantar.
O Porto em que o rio é d’oiro quand’o banha,
E é de prata, quando chega ao mar.

O Porto da ribeira medieva,
O Porto das muralhas Fernandinas,
O Porto do Passeio das Cardosas,
O Porto das manhãs com neblinas.

O Porto de Camilo e Júlio Diniz,
O Porto de Garrett e Arnaldo Gama,
O Porto de António Nobre e Augusto Gil,
E tantos outros que lhe deram fama.

O Porto do Imperial e Magestic,
O Porto do ex-Paladium e ex-Rialto
E de outros cafés que já se foram,
Em que as tertúlias tinham ponto alto.

O Porto das cinco pontes majestosas,
Duas delas monumentos mundiais,
O Porto das alminhas da Ribeira,
Onde ainda nos parece ouvir seus ais.

O Porto do Infante D. Henrique,
O nosso grande herói navegador,
O Porto da partida para Ceuta,
O Porto que a ajudou com todo o ardor.

O Porto da bela torre dos Clérigos,
O Porto que deu nome a Portugal,
Mereceu, com toda a dignidade,
Passar a Património Mundial.

Maria Antónia Ribeiro
in "Sentir"

NOITES DO PORTO

Fernando Gomes
in:http://otracoeopincel.blogspot.com/
NOITES DO PORTO

Noites do meu Porto existiram,
Eram quadros vivos, com muita gente;
Foram castelos de cartas que ruíram,
Como quem morre de repente.

Noites da minha cidade eram festas
Que findavam ao amanhecer;
Hoje são apenas paisagens funestas,
Que começam ao anoitecer.

Já não há a força que nos revela
Nem o vigor de quem trabalha;
Somos o medo presente em cada janela,
Onde há violência… onde se ralha!

Noites da Invicta, que me acompanha,
São devaneios da minha loucura;
Mesmo assim a revolta é tamanha,
Sinto o fel na minha ternura.

Jorge Vieira
in "Manhãs Inquietas"
(disponível na FNAC)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Meu Porto, não percas a corrente.

Fernando Gomes
Belo casario,
desde as raízes até ao fruto,
que bebe seiva do seu rio,
de nobre e falar enxuto.

MEU PORTO, NÃO PRECAS A CORRENTE.

Tomara eu, tomaras tu, meu Porto,
No ar das tuas ruas,
Das tuas vielas e avenidas
Meu encanto passear,
Mas, de ti mais ausente,
Em ti já não passeio tão frequentemente, Porém, meu olhar, quando te vai
visitar, Nunca de ti, meu Porto, se envergonha, E mesmo d'olhos fechados
contigo sonha, E da tua altaneira Catedral Vê teu rio; barra de partidas
Para engrandecer Portugal e a Humanidade Tu, Porto, linda cidade, és toda
arte E tens a sorte de em teu nome Seres mais de metade de Portugal, Mas
teu vinho Leva teu nome, inteiro a toda a parte, A teus filhos, por partes
repartidos, Que te deixaram mais triste, Mais vazio, mas em ti seus
sentidos, Todavia, se para o mar corre teu rio, Mantem tu, meu Porto, Nas
tuas ruas, vielas e avenidas, Navios na corrente de nos encantar; Com teus
casarios em cascata, Com tuas falas de verdade, Com teu bonito granito;
Túmulos vivos da nossa saudade Quando de ti estamos longe Nosso Porto,
linda cidade!
E é Natural seres património mundial
E Alma de Portugal!

Silvino Taveira Machado Figueiredo (Figas de Saint Pierre de
Lá-Buraque) S. Pedro da Cova- Gondomar

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

INVASÃO

Fernando Gomes
INVASÃO

Lá além, ao findar do horizonte,
Monstruosas e compactas,
Erguem-se muralhas de betão,
Espreitando a hora propícia de avançar
Sobre este bucólico reduto:
Pequenos campos, que
Imaginativamente lavro e que
Emocionalmente vejo florir – jardins de outrora,
Cujos restos me acalentam a alma e
Suavizam cicatrizes do meu
Sentir juvenil.

Lá além, ao findar do horizonte,
Colmeais gigantescos proliferam,
Acentuando, ao alto e ao largo,
A sua presença invasiva na natureza que
Cada vez mais se recolhe,
Se reduz
E se aniquila.
São cinturões de cimento e aço que
Cavalgam, prontos a estrangular vestígios
De um passado que escorre ainda
Das camélias
E magnólias floridas, nestes quintais
Abandonados
E guardados dentro de mim.

Miguel Leitão
in Em nome das palavras

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SER POETA E TRIPEIRO

Fernando Gomes
in:http://otracoeopincel.blogspot.com/
SER POETA E TRIPEIRO

É perceber o que dizem as ondas do mar
É responder ao pássaro que nos vem acordar
É olhar as nuvens que correm no céu
É saber em qual delas o Sol se escondeu.

É perceber o silêncio da saudade
É responder com um sorriso d’ amizade
É olhar a lágrima que corre no rosto
É saber nos lábios, qual é o seu gosto.

É pôr no papel tudo o que se sente
É conseguir mudar a verdade que mente
É acreditar que é bom à nossa volta
É fazer poemas com letras de revolta.

É ser cinza como o granito
É ter olhos cor de esperança
É chorar o meu Porto e achá-lo bonito
É correr nas ruas como se fosse criança.

É ver o Douro morrer na Foz
E transformar o seu grito
Na nossa própria voz.

Maria de Lourdes dos Anjos
in Nobre Povo

sábado, 13 de novembro de 2010

CIDADE

Fernando Gomes
CIDADE

Vai deslizando a cidade, e gente, e mais
gente, e gente até mais não. Cai a noite,
o dia, já só não cai pregão.
Tanta casa, ruas amortalhadas,
vielas perdidas, e a desencada varina
que se fica esquecida de apregoar tradição.
Mortas de palavras, quando se entra na noite,
só pobres almas penadas se arrastam nas calçadas
a queimar a matéria, a vida.
Já não se ouve o teu cantar nem o perfume dos teus
jardins de cameleiras despidos, pedaços de outras
vidas.
E nas sacadas graníticas, onde o farol se apagou,
vai ficando sombra fria, só envolta em betão.

Elvira Santos
in Era Agosto e Chovia