MANHÃS DE AGOSTO
de Maria Antónia de Carvalho Mendes Ribeiro
Nestas quentes manhãs do mês de Agosto,
Debaixo dos frondosos arvoredos,
Escutando o chilrear da passarada,
E das crianças avistando seus folguedos,
Fico a cismar, embalada nesta calma,
E em todo este ambiente natural.
Como é possível tudo o que acontece
E que eu leio nas noticias do jornal!
São as guerras fraticidas do Kosovo,
É a luta amordaçada de Timor!
Um povo cujo desejo é ser livre
E que vive debaixo do terror!
São os desastres imensos nas estradas!
Dos que correm desafiando a sua sorte,
Para chegar mais cedo, não, à vida,
Mas, muitas vezes, sim, mais cedo à morte!
É a guerra, é a fome, em Angola!
Onde as crianças apanham o milho pelo chão!
Meia dúzia de grão que eles comam,
Representam, li eu, a refeição!
São os crimes, os roubos, tudo enfim,
Que me deixam muito triste e a pensar:
Será que a humanidade está tão louca,
Que já não tem capacidade para amar?
Depois de tudo isto que fui lendo,
Debaixo dos frondosos arvoredos,
Já nem ouço o chilrear da passarada
E mal avisto, das crianças, seus folguedos.
Agosto de 1999