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quinta-feira, 21 de junho de 2012

TRIBUTO AO 25 DE ABRIL

TRIBUTO AO 25 DE ABRIL

Nem a chuva tem já força
para te chorar, Abril !
Este tempo de chumbo,
de ignorância política,
de gritos pesados
e de silêncios globais,
não tendo a Pátria meios
para dominar o nojo
que é limpar o cu à Europa,
velha, gorda, doente!
Que tempo é este
que nos esgota
em novos despejos
e incidentes estranhos
com polícias armados!
Há um cheiro bafiento
erguendo - se da tumba do medo
vergando - nos até à chibata!
A Primavera tão fria
não traz o pão para a mesa,
a angústia penetra até ao umbigo,
os erros sucedem-se
fechando o portal da liberdade!
Não,
não cortem as raízes dos sonhos,
não destruam os recursos da esperança,
não desfigurem este país:
facho, luzeiro, lua,
caravela, nau, marinheiro,
mundo novo, mar presente,
namorados ensaiando
um beijo cheio. 


Maria Olinda Sol
lido por Eduardo Roseira

terça-feira, 8 de maio de 2012

COMER


óleo de Collado
COMER

Vou comer
rodelas de beringela,
fritas em azeite  e alho
e ainda um prato inédito:
frango molhado em mel!
Sinto um certo embaraço
ao continuar a desfiar
o meu prazer de comer,
mas vou acrescentar ao repasto
uma mão cheia de morangos
e figos regados por moscatel!
Esta coisa simples que é comer
pose ser algo grande:
a vida em transformação,
o namoro começado,
matada a fome,
saciado o desejo!

Maria Olinda Sol

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Poesia na Galeria" apresentação da Colectânea Galeria Vieira Portuense




 Luís Pedro Viana e João Pessanha
 Fernanda Cardoso



 Eduardo Roseira
 Lourdes dos Anjos
 Lourdes dos Anjos
 Fernanda Cardoso
 Luís Pedro Viana

 Alzira Santos
 Alzira Santos
 Ana Pamplona
 Ana Pamplona
 Fernanda Garcias
Fernanda Garcias
 Kim Berlusa
 Kim Berlusa
 Eduardo Roseira
 Eduardo Roseira









quarta-feira, 25 de maio de 2011

AMOR


AMOR

De amor morremos todos
em cada esquina da vida
ancorados em barcos loucos
em cais  nus, silenciados!
Sulcam se mares imaginários,
onde  velhos marinheiros,
pedintes e soldados
sacodem a sua dor
que fica pintada no vento
com tintas de aguarela!
Fadas amordaçadas,
margens  de rios de saudade,
guitarras portuguesas trinando
um fado de amor ausente!
As cegonhas são de esperança
por cima das nossas mãos
cansadas de segurar
estes corpos tão cansados
de noites mortas de pasmo!

Maria Olinda Sol
lido por Lourdes dos Anjos

terça-feira, 3 de maio de 2011

O TOURO

O TOURO

O Touro
É um bicho e até um Deus
no Nilo abençoado!
Ficou nos muros da História
e com alguma glória
acompanhou o homem
na sua triunfante caminhada!
É trompete que anuncia a festa,
sangue e bandarilhas
e ainda algumas meninas
que atiram flores aos forcados!
É um ai de aflição
com o toureiro no chão
ensanguentado,
rezando à Virgem Maria!
É o olé da plebe
que em dia de faena
esquece as suas penas
atira chapéus ao ar,
e faz da arena um mar de risos
e palmas!
É o actor principal
quando num último estertor
depois da fatal estucada,
cai no chão em câmara lenta,
num rugido enraivecido
de quem não se dá por vencido
numa luta desigual!

Maria Olinda Sol
Declamado por Eduardo Roseira

terça-feira, 19 de abril de 2011

TOADA

TOADA

Rezo neste dia cinzento
a todos os fiéis sentimentos
que atravessaram espadas
que conquistaram o mundo
e acabaram em mansardas
no fim do esquecimento!
Vencidos os oceanos
com baionetes em riste,
as negras desenlaçavam suas vestes
garridas,
lentamente,
caindo na areia molhada,
em ritmo de batucada,
e acordes de fados tristes!
Beijos chorados,
mãos cravadas,
bocas acorrentadas,
amores frustados,
e o desejo saciado
ficou naquele bocado
duma praia do Nordeste!
 
Maria Olinda Sol

QUERER

QUERER

Entre dois sorvos de café,
o instante que estava à espera,
ali ao pé,
de algo incandescente,
ficou-se por um tímido sorriso
e pensou que era melhor
ter juízo,
e deixar as tentações
amarradas a estrofes de poesia!
Mas o querer engenhoso
entrou pelo peito dentro
e fez finca pé,
deitou-se no meu sono
e fez-me sonhar contigo!

Maria Olinda Sol

DIA PERFEITO

DIA PERFEITO

O dia era perfeito
a festa era a esperada:
anões, duendes, adivinhos,
feirantes, curandeiros, amantes,
e, um terreiro de turbantes
cantando a cidade esquecida!
Depois de muito comer:
frango, enchidos e pão,
depois de muito beber:
palhete, água-pé, e tragos de água ardente
de medronho,
sentamo-nos nos regaços
e demo-nos abraços onde cabia o nosso mundo!
Nos teus alongados braços
companheiro, esteios de milho e sargaço
construi neles a vida
e fiz lá a minha casa
ninho onde se esquece o cansaço!
Ai surpresa de fim de tarde
olhando estrelas cadentes
que riscam o céu de luz,
em hora de aroma a cravo
espalharam-se mil brilhantes
nos cabelos do Atlântico
e confirmaram o ditado
“Todo o amor é ardente”!
Maria Olinda Sol

sexta-feira, 18 de março de 2011

FEIRA DA MINHA INFÂNCIA

José González Collado

FEIRA DA MINHA INFÂNCIA

A feira da gente da minha aldeia
era à segunda-feira!
O Domingo prolongava-se
num ritual atarefado –
- separar a roupa da arca:
saia de merino preto,
a blusa de chita florida,
o lenço verde estampado,
afagando o cabelo negro
apanhado com ganchos de osso
dourados,
a chinela de tacão
e uma saca de pano bordada
à mão!
O dinheiro não chegava
para a carreira,
ia-se a pé,
em ranchadas
de belas candidatas a namoradas!
Pelo caminho
cantava-se ao desafio
canções de trabalho
suadas!
Comprava-se o que as leiras
não davam:
o bacorinho, o vitelinho
as fazendas para o bragal,
o enxoval de mancebo
que ia a sortes
naquele ano,
os ouros
para as moças casadoiras,
os docinhos de amor
repartidos ao serão!
Os cheiros inebriavam:
fruta, melaço,
o borbulhar da solha frita,
as ervas de cheiro
escolhidas a dedo,
os chás de camomila e cidreira!
Uma leve troca de olhos
anunciava
companhia para a caminhada,
o rapaz com grande lábia
declarava-se
com frases muito alinhadas!
O fim da festa era triste
e cansado
terminado o sonho
que levou uma semana inteira
a encenar!
Maria Olinda Sol

PEQUENO-ALMOÇO DE DOMINGO

José González Collado

PEQUENO-ALMOÇO DE DOMINGO

O Domingo era de amoras,
dispostas por sobre a mesa,
numa geleia gelada,
barrando a fatia escura,
do pão cozido de madrugada!
O leite quente aguçava
a vontade de provar
aquela brancura perfumada
com canela e
pedaços de maça!
O queijo salgado de cabra
rescendia,
em tosta estaladiça,
preparando o paladar
para os figos
pingo de mel,
servidos com o orvalho
da manhã!
O cheiro a café era intenso
caindo de um saco surreal
e as dores morriam
no repasto matinal!
E a família reunida
deitada nesta ternura
fazia parar o tempo
e dava graças à ventura
de poder saborear
esta refeição divinal!

Maria Olinda Sol

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PAISAGEM SENTIMENTAL

Victor Silva Barros

PAISAGEM SENTIMENTAL

Rios de suor
leme em lume
cais onde o lodo reveste
qualquer desejo perene,
o barlavento assustado
e o gado desassossegado
neste fim do mundo
ausente,
águas salobras
que afectam os narcisos
gritos de uma voz desasada,
quilhas de barcos do tempo,
relógios de sol parados,
gargantas sequiosas
nos espaços inacabados,
destinos densos,
sílabas encadeadas
em amores finados,
frutos com lábios magoados,
cavernas abandonadas,
facas, gumes, queixumes,
poemas, livros, estantes,
e cada vez mais distante
o amor que se sentiu um dia!
Demónios mordidos,
vampiros caídos,
loucuras pensadas,
preces, risos e terços
presos em cada sermão
na triste procissão
do Senhor dos Aflitos!
Siso, choro e lamento
em ais de cais esquecidos,
filhos de um tempo esgotado
num estendal dependurado
nos quatro cantos do medo!
Momentos únicos do ano,
muros sentados na vida,
arpões, peixes castrados,
pátrias de bocas safadas,
monções, recordações,
porões, aleijões,
no adeus desesperado,
sem sentido e sem passado
ao amor que deixou de ser sagrado!

Maria Olinda Sol

NASCIMENTO

José González Collado
NASCIMENTO

Nasce um verso de citrinos
e cordas em novas guitarras,
nasce um beijo em cada esquina
e ondas a oferecer poemas!
Ressurgem alquimias antigas,
em vasos contemporâneos,
pintadas por uma fada,
com palavras libertadas!
Abrem-se portas fechadas
a cavalos lusitanos
que oferecem no olhar
Primaveras despertadas!
Num jardim adormecido
em cestos de sonhos reais
nascem as rosas, os lírios
e ainda alguns sorrisos
com pétalas de madre – pérola
que se ofertam
a quem os quiser aceitar!

Maria Olinda Sol

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NAS PALMAS DA MINHA MÃO

MARIOLA LANDOWSKA


NAS PALMAS DA MINHA MÃO

Nas palmas da minha mão
as rosas estavam desfeitas
perdida a sua cor rubra,
não deixaram a sua marca
na nossa rua deserta!
Ficaram cem pinheiros mansos,
cem abetos doridos,
cem proteas brancas, tristes
enfeitando cem pontes de lua,
no espaço dos dias breves
que encheram as nossas vidas!
A lua cai devagar
na curva do horizonte,
trocando este lugar
por terras virgens, distantes,
com novas janelas nos sonhos
e frutos pendurados na neblina!

Maria Olinda Sol
lido por Augusto Nunes

O TEU CASACO

Pilar López Román

O TEU CASACO

Tenho tanto frio amor,
neste Outono molhado,
deixa-me, por favor, enrolar no teu casaco,
respirar no teu calor!
É de tweed cinzento
e aquece este momento
num forte e longo abraço,
num querer-nos assim tanto
ligados pelo casaco!!
E eu guardo para mim
esta sensação tão boa,
de sermos um
sendo nós dois,
no umbral de uma portada,
debaixo do mesmo casaco,
numa fria madrugada!
Ligados pelo casaco
numa fria madrugada!

Maria Olinda Sol
lido por Lourdes dos Anjos

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mar

Aníbal Alcino
Mar

A linha minimalista do oceano
está em pranto
dividindo a compasso a terra e o céu!
Nem o barco pesqueiro ao passar
o rasga por entre a bruma
nem faz com que se esfume
esta realidade conceptual:
céu, terra e mar!
Tão simples como o cheiro
intenso
de um roseiral outonal!
As saudades do mar encapelado,
mar bravo da minha infância,
mar de Espinho, são muitas!
Em criança,
eu e a restante filharada,
espartilhados em roupa domingueira
que se despia numa barraca às listas
de madeira colorida,
cobria de gritos o areal!
Jogava-se ao prego e ao mata
e comia-se de quando em vez
um pastel de nata!
Pelas dez horas era sagrado,
o senhor banheiro Bernardo,
agarrava-nos o braço com força:
e Zás-trás, três mergulhos seguidos
nas ondas frias, salgadas!
A mãe de vigia perfilhava
as toalhas felpudas
que limpam a água e as lágrimas!
Um copo de leite quente
afugentava o frio
e tudo voltava ao equilíbrio!
Maria Olinda Sol

Encontro

Pinho Diniz

Encontro

Telefonas-me tu?
Telefono-te eu!
O encontro é às três!
Quem sabe?
Talvez!
Partilhámos o universo
num grande e sentido
abraço,
apertamos as mãos frias
neste calor repartido!
Que é feito dos teus?
E dos meus, também!
Tudo bem por agora!
Olha o chá que arrefece,
as bolachas de amêndoa
e canela,
há muito que esperam,
na mesa posta, da festa!
Que lindo que é o vestido
que trazes hoje contigo!
O vento amainou
o dia emudeceu
e horas incertas
alguém as levou!
Maria Olinda Sol

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MOMENTO

Isabel Alfarrobinha


MOMENTO

Neste silêncio de gaivotas feridas,
penso o teu rosto vestido de amores,
em Verões escaldantes
da nossa infância acostada
a cais de navios ausentes!
Eram longos os estios,
os pés enterravam-se nas veigas,
brotando uma frescura que acalmava
corpos e ancestrais nogueiras!
À tardinha esgotados,
baloiçávamos na vontade de partir!
O ruído das cigarras cantadeiras
ensurdecia os ouvidos,
os campos em delírio,
ofereciam trigo maduro
molhado em compota de maçã!
Tudo ficava retido
em momentos únicos
de serões prolongados
que eram contados e recontados
por todos nós!
À noite as camas de ferro,
cobertas com liteiros de trapo,
apagavam os cansaços,
tudo ficava calado,
e por fim calmamente, adormecia!

Maria Olinda Sol
Recitado por Artur Santos

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Paisagem

Mari Carmen Calviño
PAISAGEM

No perfume da ventania
levanta–se um inconfundível aroma
a maresia banhada em Natal!
Caem as pinhas chorosas,
parindo pinhões
em rabanadas de gritos,
que naqueles terrenos arenosos,
se enterram aflitos!
Os pássaros lavam -lhes os gritos
o oceano as emoções
e o olhar do mar
em histeria,
condena aquele dia
de paisagens ganhas,
a pátios encantados,
adoçados em vinho e mel!

Maria Olinda Sol
lido por Rui Coelho Santos

Descoberta do Brasil

Júlio Pomar
Descoberta do Brasil

Eram marinheiros alentados
de cabelos compridos
e olhos claros,
partiram de Belém,
arregimentados, por vezes à força,
para carregar na úbere Índia
mil açafates de especiarias
e todas as magias sonhadas
em madrugadas pardas
de dias amanhecendo nevoeiro!
Num dia venturoso de 1500
arrastados por ventos alísios
e ainda alguns avisos
de adamastores e outros torpores,
viram terra mais cedo que o previsto!
Homens despidos , pintados
e armados de arcos e setas,
com ruídos guturais agudos,
saudaram as lusas naus,
e ofertam papagaios e algum ouro
para selar o tesouro
de futuras trocas e baldrocas!
Esses marinheiros matreiros,
recolheram as ofertas
para as apresentar no regresso
com o preciso espavento
a El-Rei D. Manuel I
E dali seguiram o seu destino
depois de baptizar a terra ardente
de seu nome Vera Cruz,
passando à frente,
rodeando o oceano,
meteram o barco nas rotas
que os haviam de levar a Calecute!
Comandava a frota Pedro Álvares Cabral
que dali partiu com alento
para trazer do Oriente
naus carregadas com pimenta
e canela,
pérolas brancas e frias,
sedas coloridas e porcelanas finas,
perfumes com asas de vento,
chás e outras infusões
que nas solidões das venturosas viagens
aquecerem mil e um corações!

Maria Olinda Sol
lido por Constância Nery

sábado, 9 de outubro de 2010

EXPOSIÇÃO DE PINTURA DO GRUPO INTERNACIONAL SERVIU DE PANO DE FUNDO À EDIÇÃO DE 2 DE NOVEMBRO DA "POESIA NA GALERIA"




Jorge Vieira
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Rui Coelho Santos
Artur Santos 
Artur Santos


Artur Santos
Artur Santos
Artur Santos
Miguel Leitão
Miguel Leitão
 Miguel Leitão
Miguel Leitão
Miguel Leitão
Miguel Leitão 
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos
Maria Lourdes dos Anjos



Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta Silva Neves
Maria Augusta da Silva Neves
Domingos da Mota
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Jorge Vieira
Constância Nery
Constância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Contância Nery
Miguel Leitão
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves
Carlos Andrade
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves
Carlos Andrade com Maria Augusta Silva Neves