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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O TEU CASACO

Pilar López Román

O TEU CASACO

Tenho tanto frio amor,
neste Outono molhado,
deixa-me, por favor, enrolar no teu casaco,
respirar no teu calor!
É de tweed cinzento
e aquece este momento
num forte e longo abraço,
num querer-nos assim tanto
ligados pelo casaco!!
E eu guardo para mim
esta sensação tão boa,
de sermos um
sendo nós dois,
no umbral de uma portada,
debaixo do mesmo casaco,
numa fria madrugada!
Ligados pelo casaco
numa fria madrugada!

Maria Olinda Sol
lido por Lourdes dos Anjos

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MANHÃS INQUIETAS

Pilar López Román


MANHÃS INQUIETAS

Revolto-me, em cada dia nascente,
E traço o caminho a percorrer;
Levanto-me como quem de repente
Espera as delícias do sol poente.

Engano as horas com vãs promessas
Que o dia seja o mais feliz;
Mesmo que o vagar tenha pressas,
Hei-de andar por onde quis!

Saciarei a sede com a doce ternura
Que a poesia me oferece… lentamente;
Mesmo que surja a noite escura,
Sou uma luz que brilha intermitente.

Mesmo que a revolta ouse persistir,
Eu lanço as redes à Alegria;
Assim, em cada esquina deixarei florir
Pétalas coloridas de fantasia.

Jorge Vieira
in "Manhãs Inquietas"
(disponível na FNAC)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Deus Guarda o Porto

Pilar López Román
Deus Guarda o Porto


O povo tripeiro é pouco de “religião”.
Respeita os seus santos
E o lugar onde estão.
Tira o chapéu ao passar na igreja.
Dá a esmola p’ras almas
E faz uma reza p’ra matar a inveja.
Na Trindade, na Sé, Lapa ou Bonfim,
Cheira a incenso, alfazema e alecrim.
Na renda de pedra e na talha de cada altar,
Ouve-se o cinzel e o formão a cantar.
Em qualquer igreja deste meu Porto,
Deixo-me envolver no seu silêncio penetrante
E ouço os Santos pedirem-me, baixinho,
Que não lhe reze, mas que lhes cante.
O povo do Porto pouco sabe de religiosidade
Mas acredita que Deus há-de guardar
A sua Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade.

Maria Lourdes dos Anjos

sábado, 28 de agosto de 2010

A PEQUENA PRAÇA de Sophia de Mello Breyner Andresen

Pilar López Román
in:http://artistasdacorunhanoporto.blogspot.com/


A PEQUENA PRAÇA

de Sophia de Mello Breyner Andresen

A minha vida tinha tomado a forma da pequena praça,
Naquele Outono em que a tua morte se organizava
meticulosamente.
Eu agarrava-me à praça; porque tu amavas
A humanidade humilde e nostalgia das pequenas lojas
Onde os caixeiros dobram e desdobram fitas e fazendas.
Eu procurava tornar-me tu; porque tu ias morrer
E a vida toda, deixava ali de ser a minha.
Eu procurava sorrir como tu sorrias,
Ao vendedor de jornais ao vendedor de tabaco
E à mulher sem pernas que vendia violetas.
Eu pedia à mulher sem pernas que rezasse por ti
Eu acendia velas em todos os altares
Das igrejas que ficam no canto desta praça
Pois mal abri os olhos e vi foi para ler
A vocação do eterno escrita no teu rosto.
Eu convocava as ruas, os lugares, as gentes
Que foram as testemunhas do teu rosto
Para que eles te chamassem para que eles desfizessem
O tecido que a morte entrelaçava em ti.

sábado, 7 de agosto de 2010

NASCI AQUI de Jorge Vieira

Pilar López Román
in:http://artistasdacorunhanoporto.blogspot.com/

Nasci aqui!

Jorge Vieira

Nasci em Miragaia, perto do rio
Num hospital em pedra, enegrecido;
À sua volta o velho casario,
Traz memórias de um tempo percorrido.

Tudo é diferente e a minha memória,
Não encontra razões para o descrever,
Aquele velho tempo, a sua história
A força e a razão do meu viver.

Sai desta cidade, era jovem ainda
Para as terras da África perdida;
Regressei e não consigo ainda
Aceitar esse outro sonho, a minha vida.

Foram anos, vencidos e amordaçados,
Longe da minha cidade, Porto nascente;
Ficaram todos os anseios sepultados,
À espera que acorde o meu poente.

Mas agora tudo é bem diferente,
Eu amo este meu Porto, a minha cidade,
Hospitaleira e onde toda a sua gente,
Tem o seu orgulho, sua vaidade.