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terça-feira, 14 de junho de 2011

RECORDAÇÃO LONGÍNQUA

Marina Mourão

RECORDAÇÃO LONGÍNQUA

Há nos teus olhos uma nostalgia
vaga e morrente dum país distante
que tanto pode ser a Andaluzia
como Granada, Cordova, Alicante…

Que pode ser também (e a fantasia
leva-me longe) a terra onde um Infante
de Portugal, sofrendo a morte um dia,
foi no martírio príncipe e gigante…

Roxa de pena, a luz do teu olhar,
faz-se saudade e obriga-me a sonhar
com essas terras quentes que eu desejo:

Eu também tenho sangue da Mourama
e sinto que essa luz que se derrama
do teu olhar é como um pátrio beijo…

Oliveira Guerra
in Algemas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

OLHOS… OLHARES

Marina Mourão
OLHOS… OLHARES

Os olhos são janelas abertas,
Presas à beleza… ao encantamento,
Onde o amor, nas horas incertas,
Dança na fúria do vento.

Olhares que choram serão castanhos?
Ou de sorrisos abertos podem ser escuros?
Todos eles têm encantos tamanhos,
Peregrinos da beleza… os mais puros.

Mas os azuis, da cor do infinito,
Poderão ter a paz do firmamento,
Onde o verde-mar, mais aflito,
Espera ver os ais do desalento.

No olhar, a sedução é uma pintura
Que dá colorido às nossas horas;
Com os olhares oferecemos a ternura,
Do amor que sentimos, sem demoras.

Jorge Vieira
in "Manhãs Inquietas"
disponível na FNAC