MADRUGADA
EM MAR IMENSO
meu
amor… sonhei.. sonhei…
meu
amor. sonhei ser poema sem métrica
mulher
menina na muralha da minha existência
manhã
após a madrugada em mar imenso
de vagas
tristes e sonhos vagos…
ser o
momento escrito no mistério do poema…
mágico
moinho do pensamento moendo mansinho
todas as
malhas do mal que impera no mundo…
ser
tarde melancólica a meditar no mapa da vida…
murmúrio
miúdo no movimento de minhas mãos…
milagre
do poema transversal que modela
as
montanhas do amor… metamorfose
assumida
na transmutação do entardecer…
ser
noite de lua nova no mês de Maio…
sem
matéria alcanço o maravilhoso império
da
divindade materna… sou ser
podendo
ser um milhão de vezes mãe
mais do
que sou em mim…
ser mito
de multidões à margem do racional…
canto do
pranto de maré em maré…
flor de
um beijo furtado ao sol na música
do poema
maior… melodia do verso dançando
com as
palavras guardadas na memória…
marco
místico de um espaço vazio…
alma sem
máscara na curva do céu…
ser a
maçã que Adão não trincou…
amora…
cereja… framboesa e romã…
macedónia
de frutos doces,
o sol e
os pássaros beijam e não ousam morder…
migratória
ave em eterna primavera…
fénix em
vastos voos renascida das cinzas
contra o
muro da morte. mas, meu amor,
sonhei
muito mais, sonhei ser poema criança
sem malícia…
mitigada mensageira
em
múltiplas vidas… macia pétala de margarida
sorrindo
da condição humana…
ser
mendiga muda a comover o verso
minuto
a
minuto… membrana transparente
onde se
advinha a cor da palavra…
miragem
mirabolante medida no desejo
do poema
maior.
meu
amor… sonhei… sonhei…
Teresa
Gonçalves