quinta-feira, 30 de junho de 2011

VIDA A SORRIR



VIDA A SORRIR

Tu que me conheces bem
e já de tão longa data
sabes que não é por mal
que trago a talhe de foice
o teu “não te rales”,
o “deixa andar”
o “logo se vê”
que te caracterizam tão bem
quanto a tua inteligência.

Com ela
e com pouco esforço
levaste o teu mundo avante.
E a cantar
que nem cigarra,
e, como ela,
a sorrir
das formiguinhas, coitadas,
que a carregar
o pão e a vida
se desgastam
para chegar ao fim dos dias,
de mãos vazias,
sem nada!

Só foi pena
o desperdício de talentos
que escorrendo-te dos poros
não conseguias calar.

Com eles poderias acender,
lá em cima,
estrelas no firmamento
que iluminassem,
e confirmassem
teu êxito.

Mas dava-te muito trabalho,
não é verdade?
E sempre foste modesto,
não te interessando vencer
nem competir
com os astros.

Defensor da humildade,
contentavas-te em viver
em paz
e em conviver
com os amigos
que achavas que eram teus.

Por isso, meu Rapaz,
meu Amigo,
tenho que agradecer aos céus
por ter travado contigo.
E, olha,
se não fosses como és,
talvez não fosses melhor.

Miguel Leitão
in "O tempo e as coisas"

VOLÚPIA DE ALMA

VOLÚPIA DE ALMA

Quando à noitinha as rosas nos canteiros
se curvam, langues, para a terra escura
e em coro os ralos cantam nos lameiro
uma canção de bárbara doçura…


E pela sombra passam cavaleiros
de sonho em cavalgadas de loucura
e se contorcem místicos pinheiros
em gestos esgarçados de amargura,

sinto que a Dor, a fada silenciosa
me bate à porta, branda, carinhosa,
e vem fazer-me doce companhia.

E já saudoso dessa velha Amiga
que não esquece esta afeição antiga.
acolho a Dor com mística alegria…

Oliveira Guerra
in Algemas

INTEIRA


INTEIRA

Ninguém me obriga a ser o que não sou!
Subo a rampa sem desvios
e no caminho em que vou
há imensos desafios.

Não serei nunca hipócrita ou mundana,
com máscara de ocasião;
minha roupa da semana
é de qualquer reunião.

Quem me conhece, conhece meu lema!
Nunca me ligo a ninguém
que tenha a alma pequena
e viva à custa de alguém!

Não critico nem sou preconceituosa,
mas sou raiva de mulher
se vejo uma acção maldosa
sobre a carne de um qualquer.

São percalços que me põem no caminho,
que não me afastam da meta!
Rasgo a trama de mansinho
pra poder morrer erecta.

Eu tenho de mim própria dependência!
Se erro, dói-me a razão…
Porque à minha consciência
não posso pedir perdão!

Maria de Lourdes Martins
in Castelos de Legos

A MESMA CIDADE VISTA POR LEONOR


A MESMA CIDADE VISTA POR LEONOR

Frescura água fonte primavera musical arvoredo
Pequeníssimas flores que ninguém plantou
Estrebuchando na brisa cânticos de nuvem
Quando rio sereno desaguou

Que dizem as folhas ao que fala vento
Que não possa dizer-se gritar-se cantando
Repetir-se no eco pelo musgo e a salsa
Entre cheiros de resina e poentes ocasos

Que dizem as folhas mais que outra verdade
Ao fazer amor no meio dos campos
Observados por gritos que assistem contentes
E nos levam suspiros pelos buracos da terra

Onde estão as casas, onde estão as vivendas
De janelas gradeadas confissões de grandeza
Isso é a outra cidade que se não confessa
Isso é outra gente que muitíssimo preza
O seu poderio de fraqueza na mente

Fernando Morais
in "A Cidade Ocupada pela Poesia"

quarta-feira, 29 de junho de 2011

sentir a natureza 1972-2010


sentir a natureza 1972-2010


dentro da inocência de criança crente
dizia-lhe num beijo: como tu és bela!
era a minha amiga e leal confidente
de todas a mais nobre, a mais singela.

contava-lhe os meus sonhos, os meus medos
daqueles pesadelos que me atormentavam
e sentia as verdes folhas serem dedos
que docemente me acariciavam

sabia compreender como ninguém
a alma de uma criança assustada
dizia-me, no seu silêncio, ser alguém
que precisava, como eu, de ser amada

mas num dia triste e cinzento chegou
aquela máquina que da terra arrancou
a sua vida. raiz, tronco, braços, dedos.
nada ficou. somente os meus medos.
painel multicor, volume II, 2004

Teresa Gonçalves
in “PLENO VERBO”
lido por Emília Costa

KIM BERLUSA


Quero sair desta pele
que me reveste
e arrancar-me da ossatura
que me prende.
Quero ser rude, ignóbil
e agreste
penhasco imenso, por onde
o eco se estende.
Quero descer ao alçapão
das negras fragas
dinamitar os filamentos
do Infinito
evocar aos deuses
novamente as sete pragas
e amordaçar todo o
silêncio, com um grito.
Quero decapitar, a ilusão
e toda a esperança
numa pira, fazer arder
todos os sonhos
Quero a má índole
o irascível e a ganância
o putrefato e os vermes
dos escolhos
Quero não ver, no sol
a claridade
mas um obscuro
e labiríntico dia-a-dia
apunhalar mais de mil vezes
a saudade
e fazer jorrar de sangue
a poesia!
     Kim Berlusa

A MUSA ESTÁ DE LUTO


A MUSA ESTÁ DE LUTO

Mais não direi em verso.
Vou partir.
Outra linguagem tenho que aprender.

Poluiu-se o Universo.
Quem venceu foi o Inferno.

Camões, que pensei eterno,
Acaba de morrer
Com tudo o que restava de Alcácer-Quibir…

Adeus Tejo, adeus Lisboa!
Adeus praia lusitana…
Partindo, vou à toa,
Perdidos os confins da Taprobana!

Não quero a luz estranha
Dos estranhos amigos
Que à sombra da mesma cruz
Enfrentaram inimigos
Da doutrina de Jesus,
E que agora tanto ofendem
Com as promessas que vendem!

Adeus rouxinóis e outros passarinhos…
Adeus fontes e montes maninhos!

Não vou partir…
Não vou morrer…
- O dia que há-de vir
Pior não pode ser!...

Adeus Lua…
Adeus flores…
- Agora até na rua
Se abandonam os amores…

Não soube riscar no papel
Toda a verdade
Da liberdade…
Tão falsa e cruel…

Acabou-se o meu tormento!
Não vou mais torturar o pensamento
Com rimas e medidas…
- Minhas horas são cumpridas!

E o que me resta, afinal,
Neste velho Portugal?...

- Resta-me o resto
Da Língua de Camões
E, de certa maneira,
Mesmo com muitos rasgões,
Sua ditosa bandeira!
                       Manoel do Marco

terça-feira, 28 de junho de 2011

À NATÁLIA CORREIA


À NATÁLIA CORREIA

vulcão em permanente erupção,
foste cratera a expelir frontalidade.
foste espírito livre que quebrou
grades da prisão
dando asas à palavra liberdade.
foste a mulher a quem a Natureza deu
a transparência das águas da Lagoa das Sete Cidades
onde em criança um dia, talvez
nela afogaste as furnas da saudade.
foste a que recheou a mente
nos verdes planaltos da tua terra
para seguires a tua própria vertente
expelindo lava da cratera.
foste a mulher que só procurou
a nossa existência no baixo ventre
e com o coração cheio de hortênsias
não recuaste
no exercício do verso andaste em frente
recusando um Deus único e penitências.

foste humana ao desprender Jesus!
(se Ele ressuscitou e subiu aos céus,
porque deveria continuar na cruz?)
foste coragem que não calou criticas aos bentinhos do País.
foste ave a quem a censura tentou cortar as asas
não te importaste
continuaste a escrever mais bis e bis,
em teus versos tenazes contra a guerra
que o regime obrigava a suportar
           
Teresa Gonçalves
in Pleno Verbo
lido por Alzira Santos

O QUE FOI… ASSIM É


O QUE FOI… ASSIM É

Ditadura, foi:
   Silêncio
   Nepotismo
   Prepotência
   Oportunismo.
   - Perseguição.

Democracia, é:
   Farsa
   Circo
   Comédia
   Revanchismo.
   - Palhaçada!

Liberdade, será:
   Fome
   Miséria
   Dor
   Doença.
   - Drama!
         Manoel do Marco

CHOVE!


CHOVE!

Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
                                José Gomes Ferreira
lido por Ana Maria

ONDE ESTÁS


ONDE ESTÁS

É a pergunta que faço
Quando me sinto sozinho
Tantas vezes sem espaço
Procuro esse caminho.

Onde estás? Não te vejo
Mas sinto dentro de mim
Um carinho um ténue beijo
Sensual sem ter um fim.

Não consigo compreender
A ansiedade que tenho
Vontade de entender
A origem de onde venho.

Sentimento, Culpa, Saudade
É aquilo que eu sinto
Vazio ou tempestade
Ou o próprio labirinto.

Errante vou caminhando
Como se estivesse perdido
A mágoa vai acalmando
Este corpo tão sofrido.

Onde estás tu? afinal
Minha Musa Minha Fada
Tu para mim és genial
És a força que não acaba
                                         João Pessanha
            11/06/2011

HOJE PORTUGAL DEU-ME UMA PRENDA


HOJE PORTUGAL DEU-ME UMA PRENDA

Hoje Portugal deu-me uma prenda
deu-me Camões e Zeca Afonso
nos trilhos luminosos da estrada de Santiago
onde passam narcejas à luz baixa do poente
e vêm de tão longe, daqueles imenso lago
e não sei ao certo porque estou contente

Mas sei que amo Camões e Zeca Afonso
por tudo o que nós fomos, por tão alto termos ido
pelas esteiras do mar, pelas canções de amigo
por todas as fomes de alma, por todos os receios
por um País que teve heróis sem ter os meios
por uma terra linda onde há o rio Homem
e os Guadianas, os Zézeres, os Águedas, os Limas
que tanto nos agitam, nos premeiam e nos doem.

Assim se fez a Pátria dos invictos morenos
neste Douro altaneiro engalanado de uvas
que nos matou a sede, nos fez marinheiros
com bandeiras de pedra, esculpido o escudo
e pelo mar fora desvendaram tudo
e trouxeram a pimenta, o cravo e a canela.

Assim se fez o “Zeca” cantor José Afonso
para ser a senha da grande revolta
e Grândola chamar-se de terra morena
de onde ressurgimos para espantar o Mundo
e demos à Europa um exemplo fecundo
uma nova época por uma nova vida
e curamos os males e saramos a ferida
com dois grandes príncipes, o Camões e o Zeca
brilhantes de luz, do Ganges até Meca.

                                                Fernando Morais

CANTOCHÃO



CANTOCHÃO
a partir de um verso de  Marina Tsvetáieva

Livrai-nos senhor
da pedra no sapato
da espinha na garganta
da dor de dentes
e daqueles que ora mordem

como ratos ora afiam
as línguas de serpentes
: daqueles que te rezam
orações e debitam
prosápias de sandeus

: livrai-nos senhor
de tais bravatas pois
todos os poetas são judeus
: livrai-nos senhor
das pesporrências

tanto verbo-de-encher
tanto sermão: livrai-nos
das pardas eminências
: perdoai senhor
o cantochão.
      
Domingos da Mota

ANGÚSTIA


ANGÚSTIA

Encontrei uma criança na rua.
Uma criança suja,
coberta de óleo,
de olhos encovados
e cabelo desgrenhado.
Vestia-se de trapos de passado,
e nos pés levava apenas insustento.
Falou-me,
mas não a quis ouvir.
Eventualmente,
alguém se preocuparia
e se encarregaria de lhe dar atenção,
ou a colocaria no respectivo sítio.
Falou-se novamente,
e novamente me recusei a ouvi-la.
Empreendeu todas as manobras
de possível espalhafato,
gritando-me,
enfiando-me agulhas nos calcanhares,
puxando-me os pelos,
beliscando-me a barriga,
encostando-se a mim,
para que a sentisse.

Virei as costas.
Agarrou-me à minha perna
e não me largou mais.
Cada vez mais suja,
cada vez mais fria,
cada vez maior,
fui-a deixando ficar.
Chamei-lhe Angústia.
Agora segue-me
para onde quer que vá,
agarrada ao meu casaco,
desalinhando-me
e fazendo-me tropeçar.

Agora,
todas as noites se deita comigo,
e, todas as noites,
com o mesmo quente sadismo,
durante horas a fio me fere,
me destrói, me desfaz,
me arranca todos os membros
voltando a coser-mos depois
apenas para os poder arrancar de novo.

Quero esbofeteá-la,
quero matá-la,
afogá-la na banheira,
cobri-la de veneno e atear-lhe o fogo depois.

Quero dizer-lhe que se cale,
que não é bem-vinda,
que nem é merecedora de um nome,
que me arrependo de não ter mudado de rumo
antes de me cruzar com ela pela primeira vez.

Mas, ao fim do dia,
já não é só ela que se deita ao meu lado.
Também eu me deito ao lado dela,
na habituação de quem a quer abraçar,
com doce raiva,
leve desespero
doloroso carinho.

E a minha cama,
Já não a conheço de outra forma,
já não tem espaço só para mim.

                                            Leonor Camarinho Figueiredo
in “JUP – Jornal Universitário do Porto”, Março de 2011
lido por Eduardo Roseira

sábado, 25 de junho de 2011

18 de Junho 2011

Maria de Lourdes Martins 
Maria de Lourdes Martins 
Lourdes dos Anjos 
Lourdes dos Anjos 
Lourdes dos Anjos
Manoel do Marco, Maria de Lourdes Martins e a esposa de Fernando Morais
João Pessanha
João Pessanha
Ana Maria
Ana Maria
José Nuno
A esposa de Kim Berlusa tira o número sorteado
Ana Maria recebe o prémio do sorteio


Poesia, 18-06-1011

 Kim Berlusa
 Manoel do Marco

Eduardo Roseira, Manoel do Marco, Maria de Lourdes Martins
 Teresa Gonçalves
Teresa Gonçalves
Fernando Morais

 Fernando Morais
 Fernando Morais
 Alzira Santos
 Alzira Santos
Domingos da Mota
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
Maria de Lourdes Martins

A contemporaneidade
da arte do Kung – Fu
e a excentricidade
única do fato
do Fu – Man – CHU.

A capacidade
mediúnica
de um feiticeiro
voodoo
e a conhecida
peleja, travada
em warteloo.

A diabólica arquitectura
da casa de Belzebu,
e o paladar agridoce
do ópio de Katmandu.

Isto sem contar
com a piedosa frieza
de não vestir um
deus nu!
Kim Berlusa

CAFÉ DO MOLHE


CAFÉ DO MOLHE

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

Manuel António Pina
in “Poesia, Saudade da Prosa” – uma antologia pessoal
lido por Domingos da Mota

VENTO NO ROSTO


VENTO NO ROSTO

À hora em que as tardes descem,
noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras formas acontecem.

As arestas emudecem.
Abram-se flores nos olhares.
Em perspectivas lunares
lixo e pedras resplandecem.

Silêncios, perfis de lagos,
escorrem cortinas de afagos,
malhas tecidas de engodos.

Apetece acreditar,
ter esperanças, confiar,
amar a tudo e a todos.

in Poesias Completas (1956-1967)
Colecção Poetas de Hoje de António Gedeão
lido por Emília Costa

SAUDADES DA TERRA


SAUDADES DA TERRA

Uns olhos que me olharam com demora,
não sei se por amor se caridade,
fizeram-me pensar na morte, e na saudade
que eu sentiria se morresse agora.

E pensei que da vida não teria
nem saudade nem pena de a perder,
mas que em meus olhos mortos guardaria 
certas imagens do que pude ver.

Gostei muito da luz. Gostei de vê-la
de todas as maneiras,
da luz do pirilampo à fria luz da estrela,
do fogo dos incêndios à chama das fogueiras.
Gostei muito de a ver quando cintila
na face de um cristal,
quando trespassa, em lâmina tranquila,
a poeirenta névoa de um pinhal,
quando salta, nas águas, em contorções de cobra,
desfeita em pedrarias de lapidado ceptro,
quando incide num prisma e se desdobra
nas sete cores do espectro.

Também gostei do mar. Gostei de vê-lo em fúria
quando galga lambendo o dorso dos navios,
quando afaga em blandícias de cândida luxúria
a pele morna da areia toda eriçada de calafrios.

Também gostei muito do jardim da Estrela
com os velhos sentados nos bancos ao sol
e a mãe da pequenita a aconchegá-la no carrinho
e a adormecê-la
e as meninas a correrem atrás das pombas e os meninos
a jogarem ao futebol.

A porta do Jardim, no inverno, ao entardecer,
à hora em que as árvores começam a tomar formas estranhas,
gostei muito de ver
erguer-se a névoa azul do fumo das castanhas.

Também gostei de ver, na rua, os pares de namorados
que se julgam sozinhos no meio de toda a gente,
e se amam com os dedos aflitos, entrecruzados,
de olhos postos nos olhos, angustiadamente.

E gostei de ver as laranjas em montes, nos mercados,
e as mulheres a depenarem galinhas e a proferirem palavras
grosseiras,
e os homens a aguentarem e a travarem os grandes camiões
pesados,
e os gatos a miarem e a roçarem-se nas pernas das peixeiras.

Mas... saudade, saudade propriamente,
essa tenaz que aperta o coração
e deixa na garganta um travo adstringente,
essa, não.

Saudade, se a tivesse, só de Aquela
que nas flores se anunciou,
se uma saudade alguém pudesse tê-la
do que não se passou.

Marcelo Rebelo de Sousa
in “Os poemas da minha vida”
lido por Teresa Gonçalves