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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sessão de Poesia na Galeria 20 de Outubro

 David Cardoso
 David Cardoso
 Acilda Almeida
 Acilda Almeida
 João Pessanha
 João Pessanha
 Alice Santos
 Alice Santos
 António D. Lima
 António D. Lima
 Maria Teresa Nicho
 Maria Teresa Nicho
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso
 Eduardo Roseira
 Eduardo Roseira
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 
 Adolfo Castelbranco
 Adolfo Castelbranco
 Fernando Morais
 Fernando Morais
 Idiema
Idiema

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O MONTE DOS VENDAVAIS

O MONTE DOS VENDAVAIS
 
Lá fora nas colinas
onde as tempestades habitam,
Rodopiávamos no ar
como se não houvesse gravidade
deixando que nossos corpos caíssem
e rolassem pela relva!
O teu temperamento era como o meu ciúme
Ardente, ávido e excessivo!
Como foste capaz de abandonar-me
Quando eu precisava de te possuir
Meu Deus, como te odiei
Meu Deus, como te amei!
Toda a noite
atormentado por pesadelos
em que dizias que perderia as minhas batalhas
deixando para trás
o meu monte dos vendavais
Meu querido, regressei ao nosso lar…
Estou enregelada,
Abre a tua janela
Para eu entrar voando
É escuro e solitário
Deste outro lado, longe de ti.
Sinto tanta saudade…
O meu destino sem ti
Fracassa
estou voltando meu cruel amor
Meu sonho, meu único mestre
Há eternidades que vagueio pela noite…
Chegou a hora de remediar este tormento
Estou de volta para os teus braços.
Estou voltando para casa,
para o meu
monte dos vendavais…
ai, deixa-me ter-te
ai, deixa-me levar a tua alma! 

Kate Bush
lido por Maria Teresa Nicho 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

POESIA NA GALERIA 15-09

 Maria Teresa Nicho
 Maria Teresa Nicho
 Silvino Figueiredo
 Silvino Figueiredo
 Miguel Leitão
 Miguel Leitão
 Eduardo Leal
 Eduardo Leal
 António D. Lima
 António D. Lima
 
 
 António D. Lima brinda à galeria
 Idiema ao saber que foi a sorteada
 Idiema
 Agostinho Costa entrega a obra de António-Lino a Idiema
 António D. Lima, José Oliveira Ribeiro e David Cardoso
 
 
 
 
 Eduardo Leal e Neiro, um dos pintores da exposição inaugurada

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cântico Negro

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio

Declamado por Maria Teresa Nicho