quarta-feira, 22 de agosto de 2012

- Sol: és tão quente, mas tão doloroso!


- Sol: és tão quente, mas tão doloroso!
Tens a força da certeza, tens a força do dia;
Essa força dolorosa, com que te apoderas de mim
Já não te consigo olhar, tão forte tu és, - eu tão frágil
Tão frágil que já dificilmente te resisto
- Mas também não valia a pena resistir-te
Mais cedo ou mais tarde eu sucumbiria!-
A minha capacidade de resistir chegou ao fim…
Já não consigo amar;- ou ser amada!
Já não consigo querer;- ou ser desejada!
E tu Sol, já de tal maneira me envolveste
Que não tenho forças para me libertar de ti.
Oh Sol! O meu corpo relaxa-se numa dádiva à morte
Os meus olhos que diziam ser negros; estão pardos!
As minhas mãos sempre ansiosas na procura; inertes
A minha boca rosada, fresca, gritante; murchou, emudeceu!
O meu sexo de onde brotava a vida; secou!
A minha cabeça fervilhante de ideias; está vazia, oca!
O coração de tanto se dar, aqui, ali; já não o tenho!
Os meus peitos onde corria o leite da vida; secaram!
E até os filhos que pari, já não são meus; esvoaçaram!
Oh Sol; porque me castigas assim?
Deixa-me agarrar o canto dos pássaros, que ouço ao longe
Deixa-me agarrar o verde das árvores; tão refrescante!
Ai! Esta luta tão dura e cruel, tão desigual
Deixa-me responder ao chamamento da sombra verde e fresca
- Sol cruel porque me desnudas assim?
Sol, cruel e vencedor
Já não tenho forças para agarrar o canto dos pássaros
Já não tenho forças para me arrastar até ao verde
- Assim me vou aos poucos e poucos
            Assim aos bocadinhos 

Aurora Gaia

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