terça-feira, 16 de agosto de 2011

SÉCLO BINTIUM


SÉCLO BINTIUM

Esquecidos os sestércios
E os morabitinos,
São dólares e esterlinos
Os foragidos da forca
E os nobres piratas
São, hoje, almas de apaches
Que, de tomawak com asas
Fazem filmes no Iraque,
Cozem ovos e chechenos
Rapinando bananas,
Petróleo e açúcar de canas,…
O que resta dos ducados e dobrões,
Até ao último ceitil,
Desde os diamantes angolanos
Até ao «pitrol» dos timoranos.

Hoje, os biliões são milhões,
cem, são apenas cêntimos,
E mil é metade de cem,
Na bolsa dos mamões!

Grandes pecados,
Pobres pescadores…
A Terra Nova é Hollywood,
O Hawai é da União,
Viva o nescafé descafeinado,
A cocacola e a cocaína,
Vivam os rambos e a heroína.
«Chuinga», drops e donuts!
Abaixo o bacalhau,
O azeite e as castanhas!
Tudo enlatado,
Mesmo que estragado!
Seios ao léu,
Cartaz visual,
Viva o plástico
E o sexo oral…
Viva o Pentágono!
Abaixo Salomão!
Só resta clonar
Mónica ou Clinton!
É tudo «nice»,
A «overdose» já é fartote…
Ser feliz é ser farrapo

Das alfurjas de Nova Iorque!
E sapatos de ténis,
Brincos nas orelhas,
(Para esquecer os arganéis
Dos porcos sem peste)
É sinal de virilidade!

Cabelos rapados,
Por excessos de lêndeas,
Ou compridos,
Para imitar a putéfia,
Não sendo Lucrécia,
É sinal masculino!
E o telemóvel?
É moderno,
É uma cabine na mão
Ou no ouvido, de borla!

«Notáveis»…
Batráquios, aracnídeos,
Extraterrestres,
Desenhos animados,
Borrados…

E que mais, que mais?
Que mais? Batatões, saltões,
Com «música-barulho»
Desde os queixumes dos escravos,
Até ao desespero
Dos índios encurralados!

Noitibós de discoteca,
Herdeiros de doutores
Com filhos de «chaufeurs»
E de jardineiros,
Dizendo-se não pais de filhos
Das filhas de caseiros!
Roceiros, volframistas,
Actores de bailes de Cascais,
Autores do «periúdo» em Portugal,
Antifascistas «argelenses»
Sem penas do Tarrafal!...
Augustos, divinos,
Fidelíssimos, beatos,
Camarlemgos,
Santos com vida,
Veneráveis…
Sanguessugas, vampiros…
Espectadores de archotes humanos…
Da ciência sem dogmas!

Esclavagistas,
Fabricantes de mulatos!
- Oh, Maria!
Tira os óculos de «cabelo»
Para não ganhares brancas!
Verás que após a menopausa
Parecerás uma sueca,
Lourinha…
Não sendo «puteca».

Quem comia francesinhas
E rilhava pregos
Vê-se, agora, lamber «gelatti»
E a devorar pizzas…
Grandes, familiares, médias!
Quem foi «borrachão»,
«Homem de tasco»,
Amigo de Noé e convidado de Caná,
Hoje, ou é papa-hóstias sem vinho
Ou lambe-botas de moralistas,
Socialistas ou fascistas,
Filhos de Constantino,
Esquecendo romanos,
Suevos, vândalos e alanos,
Bêbados de whisky,
Esquecidos dos leprosos,
Muito honrados,
Sendo «sidosos»…

Nabos, pacóvios,
Não de Bordalo Pinheiro
Mas de importação da CEE…
Adeus Zé Povinho…
Bravo, Ambrósio!
Um biscoito para parlamenteiros,
Um copo de vinho para ministros,
Mais uns quilos de ouro
Vendidos sem riscos…

Assim, é que é!

- Que havemos de fazer?
- Sexo!
Pronto remédio para tudo:
Parkinson, Alzheimer,
Foot-ball, roc and roll…
- Remédio para tudo?
- Menos para a SIDA,
Doença pela América vendida!...

Manoel do Marco

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