sexta-feira, 27 de abril de 2012

ESCRITA COMPULSIVA

ESCRITA COMPULSIVA

Não tenho mãos, tenho caneta.
Por isso escrevo,
mesmo que isso não dê “cheta”.
Sei que não faço o que devo…
e escrevo.

Não arrumo os livros na estante,
não deito lenha ao fogão,
não rego nem adubo as plantas
nem vou passear o cão.
Não faço nada do que devo,
mas escrevo.

Não tenho sangue, tenho tinta.
Por isso escrevo,
mesmo quando a fome “pinta”.
Não faço aquilo que devo
e escrevo.

Não dou de comer ao gato
nem lhe aplico castigos.
Não cumprimento os vizinhos
nem presto ajuda aos amigos.
Não faço nada do que devo,
mas escrevo.

Não tenho unhas, tenho aparo.
Por isso escrevo.
E quando vens com o teu reparo
não te respondo o que devo…
Engulo em seco
e escrevo…

Não me lavo de manhã,
não dou um jeito ao cabelo,
não saio, não vou às compras,
não me visto, fico em pelo!
Não faço nada do que devo,
mas escrevo.

Não tenho mãos, tenho caneta,
não tenho sangue, tenho tinta,
não tenho unhas, tenho aparo!

Sei que escrever não dá “cheta”,
sei que a miséria já pinta
e que me “chateia” o teu reparo…

Sei que não faço o que devo...
mas escrevo.

Compulsivamente… escrevo…
escrevo… escrevo!...


Miguel Leitão
12 de Abril de 2012

1 comentário:

  1. Escrever
    mesmo que compulsivamente
    é libertar águas da fonte
    para regar sentidos secos
    de cada mente!
    Figas

    ResponderEliminar