sábado, 21 de abril de 2012

RETRATO ÍNTIMO


RETRATO ÍNTIMO


O meu saber é singelo
emana simplesmente.
Raramente vai ao prelo,
mas dá-se pra toda a gente!
Nasceu no meio dos cardos,
num ambiente adverso,
e foi com pesados fardos
que fiz meu primeiro verso.


Quando falo, o que digo,
nunca é para enganar!...
Ponho no verso o sentido
e o que a alma mandar!
Cada estrofe é como um beijo,
só assim posso escrever!...
Fico feliz, quando vejo,
que me podem entender!


Este saber que aprofundo,
estas rimas que não mentem,
como não estou só no mundo,
falam do que os outros sentem.
Que a dor é universal…
e tudo o que dela advém
é pra todo o ser mortal
que o universo contém.


Mas se há riso, alegria…
minha rima é multicor!
Cabe a vida num só dia,
tudo se expande em amor!
E é nesta contradição
que fiz licenciatura.
Escrevo do coração
para qualquer criatura.


E se o espelho fitando,
eu vejo nele outra face,
como se o tempo brincando
velho rosto desenhasse,
nesse momento, em verdade,
eu que vivendo, estudei,
constato, na minha idade,
como é tão pouco o que sei.


Ai tempo que me ensinaste
passando folhas em branco!
A ilusão que criaste
morre coberta de espanto!
Ó força que me domina,
diz-me afinal, sê grato,
pra onde foi a menina
que está naquele retrato?

               Maria de Lourdes Moreira Martins
in "Castelo de Legos"

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