quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

DOURO

DOURO

A caricia do Douro nas suas vides
amarradas aos esteios
e daqui a alguns meses
rebentam as pequenas folhas
para a festa do Estio

A chuva e o sol afagam-lhe o rosto macio
e o ciclo do vinho inicia a epopeia
dos trabalhos do campo
que veste uma nova indumentária
botões em flor sairão com os seus fios de trepar
e de agarrar arames
que desde a infância vão subindo, subindo
e alcançam os longes de abraço em abraço
até que os seus dedos recheados de cachos
vão pintando a doce cor das uvas
graças ao sol e ao calor

Veremos então as videiras adultas
com as uvas maduras, rubicundas,
e a alegria das aldeias anda no ar
com os perfumes
e à noite cantam às estrelas
os poemas de Baco
transparentes de vinho novo
que para ser bom terá de ser pisado

toda a terra canta nos festejos e no rubor das raparigas
o rio Douro passa lá em baixo
feliz e prazenteiro



Fernando Morais

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