sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

vou e regresso


(lamento da água)

vou e regresso
na circunfluência divina do Universo
sem trazer nada de novo
neste meu amor cansado
de te ver beber em mim
calando a seca saudade
nas folhas da tua sede

vou e regresso
da tua boca molhada
soltando línguas de orvalho
à raiz entrelaçada
à barragem construída
ao rio que vai dar ao mar.

e na mina velha idade
no peso do tempo ido
no leito deste amor vida
existe um desentendimento
esculpido de silêncio
onde não há amor que resista
em nascentes poluídas.
por isso em qualquer momento
vou…vamos…vou…vamos…vooouuu…vaaaaaaa

Teresa Gonçalves
in "pleno verbo"

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