quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SOFRIMENTO


SOFRIMENTO

Pedi licença para entrar e não mais saí!
Com os pés cansados, mãos trémulas, olhar triste com máscara na cara escondendo a dor que me cobre, sentei-me bem no fundo para que ninguém me escute a respiração.
Por vezes cansado, levanto-me e fumo um cigarro.
Atrapalhado, espalho o fumo para que não o vejas, isolei-me dos telefones do mundo virtual que me rodeava, esqueci tudo… até o amor que por mim chama.
Quando me sinto, sinto o peso da dor que os predadores da alma me causaram!
Curvo-me para me aquecer, abraço-me para me sentir antes que a morte me chame.
Por vezes acordo numa sonolência de estado de “coma” e deslizo meu corpo ao alto.
Silenciosamente e desconfiado que venha outra vez o predador de almas, espreito… e uma luz de corpo coberto de branco com cheiro de incenso imaculado se aproxima temendo eu que seja uma falsa alma!
Encosto-me às paredes frias de minha gruta, cortei minha respiração e deixei-me levar por ti!
Desmaiei, a teus pés… Agora és tu, que estás sozinha!
Recolheste teu corpo quente ao meu, quase morto…!
Murmuraste palavras que de muito longe eu ouvia, julgando que era o diabo… mas a voz era de um anjo!
Comecei a sentir que não estava morto, lentamente acordei enrolado a teu corpo, saciei minha fome de abraços e beijos que muito esperava. 

Ângelo Vaz

in “Capas”

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