terça-feira, 25 de outubro de 2011

FOLHA DE OUTONO



Quase nada tenho já para viver
Quase tudo ficou ainda por fazer
Correram os anos e,num repente,
Foi-se a coragem de olhar a vida de frente

Tão curto foi o tempo de criança
Tão poucos os momentos de esperança
Crescem os filhos entre auroras de encanto
Foge-nos a luz dos olhos afogada em pranto

Sou agora, frágil e ressequida folha de outono
Que um vento de fim de tarde arrancou do trono
Recordação terna dos dias que lhe mudaram a cor
Promessa de primavera num afago de fugidio amor

A folha amarelecida, outrora verdejante,
É hoje avó feliz, carinhosa e tolerante
Pedindo à vida algum tempo, algum espaço
Para saborear o que resta na ternura dum abraço.

Lourdes dos Anjos
in ENTRE O GRANITO E A NEBLINA

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