sábado, 9 de julho de 2011

CALO-ME, SIM…

José González Collado
CALO-ME, SIM…

Calo-me, sim, mas fica no meu peito
a mágoa obscura, de olhos verdejantes
e de sorriso triste, liquifeito,
como o das algas verdes e onduladas…

Calo-me, sim, mas fica em mim o jeito
de errar no mundo como sombra dantes
e de sentir no ouvido o som desfeito
de vagas que morreram, sussurrantes…

Calo-me, sim, mas fica a luz de neve,
luzindo nos meus olhos, onde esteve
o sol dos trigos, vivo e redoirado…

Calo-me, sim, e irei pelas herdades
beber nas fontes negras das saudades,
matar a sede em águas do Passado…

Oliveira Guerra
in "Algemas"

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