sábado, 25 de junho de 2011

VENTO NO ROSTO


VENTO NO ROSTO

À hora em que as tardes descem,
noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras formas acontecem.

As arestas emudecem.
Abram-se flores nos olhares.
Em perspectivas lunares
lixo e pedras resplandecem.

Silêncios, perfis de lagos,
escorrem cortinas de afagos,
malhas tecidas de engodos.

Apetece acreditar,
ter esperanças, confiar,
amar a tudo e a todos.

in Poesias Completas (1956-1967)
Colecção Poetas de Hoje de António Gedeão
lido por Emília Costa

Sem comentários:

Enviar um comentário