quarta-feira, 15 de junho de 2011

REFÚGIO


REFÚGIO

Antes de ser, o não ser;
antes de tudo, o nada!
O fio que ando a tecer
é malha desencontrada…
E neste velho tricotar,
a trama que ainda teço
já não me deixa notar
qual o direito ou avesso.

A vida é ar que acontece…
pequena gota de sangue,
semente que floresce
e que no mundo se expande!...
Com o prazer se anuncia,
com alegria decorre,
coa tristeza denuncia,
ser com a dor que se morre!

Dentro da animalidade
cada visão é diferente.
Com tanta disparidade
pergunto insistentemente:
será verdade o que vejo?
Quem vive, vive a matar,
conforme seja o desejo,
ou a fome a comandar!

É mundo em contradição,
todo em sangue mergulhado!
Mata a gazela, o leão,
conflito programado!

Jamais quereria a vida,
tudo em mim morreria,
se eu te visse desvalida,
se acabasses, poesia!

Maria de Mourdes Martins
in Castelo de Legos

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